Espuma Delirante de Rafael Silveira no Farol Santander

 

Expo de Rafael Silveira "Espuma Delirante" no Farol Santander

Rafael Silveira por Ignácio Aronovich, Lost Art

 

 

Espuma Delirante

 

Rafael Silveira é um artista múltiplo: na mesma pessoa convivem o antigo e o futurista, o artesanal e o digital, o tradicional e o transgressivo. A exposição Espuma Delirante é um choque entre esses extremos, gerando uma energia criativa que instiga pensamentos e estimula sensibilidades. Para Rafael Silveira, fazer arte é, antes de mais nada, inventar. Nada é tão sólido que não possa desmanchar-se no ar. Assim, uma sólida pintura a óleo sobre um quadro com moldura de madeira pode, muito bem, transformar-se num inseto e começar a voar. Na exposição Espuma Delirante, o surrealismo dessa cena ganha contornos surpreendentemente reais. O sonho – com suas paisagens, seus becos e meandros, seus seres e entidades – é a matéria-prima da obra de Rafael Silveira. O artista é, muitas vezes, identificado com o movimento artístico denominado Pop Surrealismo, que seria uma versão atualizada dos movimentos de arte que lidam com imagens arquetípicas e valorizam seu simbolismo. Espuma Delirante é uma imersão no universo onírico proposto pelo artista.

 

 

Expo de Rafael Silveira "Espuma Delirante" no Farol Santander

Rafael Silveira “Espuma Delirante” no Farol Santander. Foto Lost Art

 

 

Silveira aprendeu a pintar usando a tradicional técnica da pintura a óleo, misturando pigmentos e aglutinantes, manipulando linhaças e terebentinas, para alcançar densidades e profundidades através de perspectivas e sfumatos clássicos. Essa pintura artesanal e perfeccionista poderia indicar uma alma antiga por trás de tal fatura, mas, nada obstante, quem pinta é alguém que não tem nada de antiquado. É esse mesmo artista que aprendeu a usar as mais atuais ferramentas tecnológicas para criar pinceladas digitais em seu tablet e animar suas criações através dos mais sofisticados programas de computador. Espuma Delirante é uma exposição de múltiplas mídias na qual coexistem e se transam linguagens, como a escultura, a pintura, o vídeo, as projeções mapeadas e o site specific; além das hibridações que transformam molduras em objetos escultóricos, esculturas em telas para projeções de vídeos e ruídos ambientes em paisagens sonoras. Tudo junto e misturado num ambiente único e imersivo, do qual o respeitável público, a partir da sua entrada em cena, também faz parte.

 

WhatsApp Image 2022-03-19 at 12.25.22.

 

Sobre o artista

 

Rafael Silveira nasceu em 1978 e mora em Curitiba, onde mantém seu estúdio. Ele começou sua carreira, nos anos 90, como designer gráfico, tendo ilustrado muitos fanzines, revistas, rótulos de bebidas e capas de discos, e recebido, em 2007, o Prêmio de Design Max Pfeffer. Seu trabalho gráfico e digital é reconhecido internacionalmente e pode ser considerado um dos pilares da sua obra artística. Silveira é um artista multimídia que reúne, em seu processo criativo, tanto tradicionais técnicas de pintura e escultura quanto conhecimentos digitais que envolvem alta tecnologia. Desde 2007, vem expondo regularmente em diversas cidades, como São Paulo, Nova Iorque, Londres e Milão; e sua arte está representada mundialmente em coleções privadas e institucionais, como a do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e a do Museu Oscar Niemeyer de Curitiba. Sua exposição Circonjecturas levou mais de duzentas mil pessoas a museus em Curitiba, São Paulo e Brasília. Um livro com um ensaio do curador Agnaldo Farias, analisando uma década da sua trajetória, foi publicado pela editora Sesi, em 2016. Seu trabalho tem sido pauta de inúmeras revistas, incluindo recentes artigos na revista virtual Colossal, na australiana Beautiful Bizarre e na capa do jornal New York Times.

 

Desde o início dos anos 2000, sua produção artística passou por algumas fases: a primeira é caracterizada pelo encanto com a pintura à óleo de fatura minuciosa; seguida por uma fase na qual o artista desconstrói a tradicional tela, com moldura de madeira entalhada, para desenvolver novos designs que fundem pintura e escultura em objetos originais. A partir de suas primeiras exposições em grandes museus, Silveira direciona a sua produção artística para obras de maior escala e instalações arquitetônicas, incorporando a ilustração de paredes, a sonorização de ambientes, o movimento cinético e a participação do público interagindo com as obras. Na fase atual, que pode ser conferida na exposição Espuma Delirante apresentada no Farol Santander em 2022, Silveira adiciona novos elementos ao seu já complexo repertório: todos os espaços da exposição, desde as paredes até as esculturas e quadros-objetos, são tomados por projeções de vídeos e animações digitais produzidas pelo próprio artista. Nessa exposição, Silveira mostra que o seu universo onírico se tornou ainda mais vivo com o auxílio da tecnologia e, com isso, a experiência do público ficou muito mais vibrante.

 

 

 

 

 

Sobre a exposição

 

Espuma Delirante é uma exposição na qual cada centímetro quadrado foi pensado para proporcionar aos visitantes uma experiência imersiva de múltiplos estímulos sensoriais. Antes mesmo de entrar na sala expositiva, um corredor gráfico recebe o público com uma provocação psicodélica. A exposição é composta por ambientes que se conectam, integrados por uma combinação de elementos que amplificam o impacto da imersão: iluminação, sonorização, imagens que se movem, esculturas derretidas, paredes animadas, quadros que piscam pra gente… tudo isso forma, em seu conjunto, novos modos sensíveis de viver uma exposição de arte.

Na exposição, não se vê quadros com imagens estáticas de sólidas pinturas, o que se vê são telas sobre as quais projetam-se imagens etéreas e em sutil movimento, ou seja, uma transformação inovadora da pintura em vídeo. Além das imagens em movimento, esculturas que representam sorvetes se espalham pelo espaço expositivo e, até mesmo, invadem outros espaços, escorrendo pelo chão e pelas paredes para inundar o Farol com a doce e refrescante espuma delirante.

 

 

Sobre o curador

 

Baixo Ribeiro é curador de arte especializado em exposições interativas, processos colaborativos e apresentações em espaços públicos. Com formação em arquitetura e urbanismo, desde os anos 2000, vem realizando programas inovadores em arte contemporânea, envolvendo exposições, seminários, festivais, sempre em associação com importantes instituições brasileiras e internacionais, como: Fondation Cartier; Stiftung Brasilea; Museu de Arte de São Paulo; Museu AfroBrasil; Museu Iberê Camargo; Reitoria da Universidade de São Paulo; Secretarias de Educação e Cultura de vários estados; instituições como SESC, SESI e SENAC; Farol Santander; entre outras.

 

 

 

Curador Baixo Ribeiro e artista Rafael Silveira "Espuma Delirante" no Farol Santander

Curador Baixo Ribeiro e artista Rafael Silveira. Foto Lost Art

 

 

 

WhatsApp Image 2022-03-12 at 13.03.31