Soberana ZIZA – Individual

 

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Soberana Ziza. Foto Tally Campos, 2021

 

Temos o prazer de anunciar a exposição “Mulheres: raízes da conexão” de Soberana Ziza, artista que venceu o Prêmio em Artes Visuais do Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, pelo Histórico de Realização. A Choque Cultural recebe a exposição, como parte de seu programa de pesquisa sobre propostas artísticas que estão nas bordas do circuito convencional da arte contemporânea.

 

 

 

‘Mulheres Raízes da Conexão’

 Terra é Ancestralidade

A cidade feminina e suas marcas na cidade .

 

Texto e Curadoria por Renata Felinto

 

Na mitologia iorubana, Nanã, orixá experiente e madura, não é a criadora da humanidade, mas é ela quem fornece o barro para que seres humanos tenham suas corpas modeladas por Oxalá, que além disso nos fornece o sopro da vida.

Na terra estão gestadas nossas histórias, dela saem nossos alimentos primordiais, para ela retornamos no fim da vida com o barro devolvido à Nanã que nutre o solo para dele emergirem outras vidas.

É sobre esse ciclo fundado na existência matérica e espiritual feminina que nos falam as produções recentes de Soberana Ziza, com o acréscimo de que essa mitologia se desloca do plano espiritual para o urbano, e se converte em obras de arte a partir de várias criações artísticas que investigam histórias do povo negro pela cidade de São Paulo.

 

Nascida e crescida na Zona Norte, lugar conhecido por ser um importante aquilombamento formado no pós-abolição, com uma marcante presença sociocultural do povo preto, a artista apresenta suas obras pelas ruas e espaços culturais de São Paulo há mais de uma década.  

Com a exposição individual Mulheres: raízes da conexão, Prêmio em Artes Visuais do Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, pelo Histórico de Realização, Soberana Ziza explora outras linguagens para além da pintura mural e em tela, experimentando novas técnicas e pesquisando a história das mulheres negras na capital paulistana.   

Ao longo de meses a artista gestou e ativou trabalhos que desenvolveu em performance, pintura sobre diversos suportes, lambe lambe, objetos e filme realizando uma cartografia artística sobre as contribuições das nossas antepassadas para a edificação da história de São Paulo.

 

 

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Ziza, Beco dos Aflitos. Imagem Ingrid Félix

 

Uma das primeiras obras ativadas para a exposição foi Fragmentos do Apagamento, intervenção performática realizada no bairro da Liberdade, que rememora a biografia do soldado Francisco José das Chagas. No ano de 1821, Chaguinhas, como era conhecido, foi condenado ao enforcamento no Largo da Forca, local de punição às pessoas acusadas de crimes. Sua condenação se deu devido à sua liderança na revolta que exigia o pagamento de salários a um grupo de trabalhadores. No entanto, na ocasião do seu enforcamento a corda arrebentou três vezes e, para as pessoas que assistiam à punição esse foi um sinal sagrado de sua inocência e da injustiça que estava sendo cometida. O rompimento da corda impulsionou a multidão a bradar por “Liberdade!”.

 

Ele reconquistou a sua liberdade e foi carregado por populares para a Capela dos Aflitos que, mantinha ao lado um cemitério no qual estão restos mortais de pessoas pretas que foram sepultadas sem cerimônia fúnebre. Hoje Chaguinhas é cultuado pela comunidade preta da região e o sucedido notado como mostra do sagrado.   

Ao realizar a sua performance buscando revelar a importância  desses eventos para as narrativas pretas paulistanas, Soberana Ziza realiza uma reintegração de posse da memória desse território, intervindo no espaço público com imagens pintadas em tecidos translúcidos que apresentam mapas, as imagens e inscrições que nos mostram como a história opera a partir de justaposição, supressão, revelação de fatos que se sobrepõem uns aos outros, evidentemente que, em geral,  conservando a perspectiva do grupo dominante.

 

O registro fílmico dessa ação é exibido na Galeria Choque Cultural como testemunha dessa revisão, assim como a artista reúne a série de objetos Entre a transparência refaço o passado na qual experimenta a translucidez por meio da sublimação para realizar o jogo poético entre o que as imagens nas obras revelam e o que a história encobre.

A exposição Mulheres: raízes da conexão, se estende ao Espaço Preta Hub, situado no Centro Antigo, configurando-se como um convite à redescoberta da historicidade preta enraizada em terras paulistas, que se efetiva por meios das andanças que estão propostas no roteiro artístico percorrido por Soberana Ziza em seu processo de pesquisa e de elaboração de suas obras.

 

Com sua exposição individual, que assim como as narrativas orais se disseminam e se aprofundam em múltiplas paragens, Soberana Ziza enlaça os frutos semeados pelas nossas mais velhas e os distribui por meio de narrações artísticas que saúdam as existências das que pisaram neste território antes, das que pisam no agora e das que pisarão em breve.

 

 

 

Guia da Conexão Obra Ziza_IMG_1086

‘Guia da Conexão’, díptico, série: ‘Entre a Transparência refaço o passado’.  Local Atravessado: Duas mulheres que foram responsáveis por iniciar o legado do Samba, Deolinda Madre ( Madrinha Eunice) fundadora da Escola Lavapés e Laurinete Nazaré da Silva Campos (Dona Guga) Fundadora da Sociedade Carnavalesca Morro da Casa Verde, duas mulheres visionárias ao seu tempo, sendo caminho a tantas outras escolas de Samba.

 

 

 

 

MAE PRETA Obra Ziza_IMG_1102

‘Mãe Preta – Juntando Pedaços’, série: ‘Entre a Transparência refaço o passado’.
Local Atravessado: Revisita o monumento Mãe Preta localizado na Praça do Paissandu ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Juntando pedaços, reconstruindo o sentido de ser MÃE dos nossos filhos. Imagem utilizada: Mãe Preta. (Acervo Preservação/DPH/SMC. Chico Saragiotto.)

 

 

 

 

ENTRELAÇAMENTO Obra Ziza_IMG_1132

‘Entrelaçamento’, série: ‘Entre a Transparência refaço o passado’. Local Atravessado: Nosso corpo é raíz…. Redes urbanas ligam a nossa história, nosso corpo é território fértil. Imagem utilizada: Fonte: Escola da Cidade e Jornal O Estado de S. Paulo – 30 de julho de 1935

 

 

 

 

SUSTENTAÇÃO Obra Ziza_IMG_1114

‘Sustentação’, série: ‘Entre a Transparência refaço o passado’. Local Atravessado: Como uma teia feita pelas raízes, nos levando e nos conectando com o nosso passado, somos árvores. Na terra está nossa ancestralidade é nela que buscamos a Sustentação. Imagem utilizada: Cartografia dos gabaritos e Cone Visual do Contexto IGEPAC – Liberdade

 

 

 

 

OBELISCO DA MEMÓRIA Obra Ziza_IMG_1124

‘Obelisco da Memória’, série: ‘Entre a Transparência refaço o passado’. Local Atravessado: O Obelisco é considerado o primeiro monumento da cidade de São Paulo datado de 1814, localizado ao lado do metrô Anhangabaú. O Largo da Memória é construído como ponto de descanso de viajantes e comércio. Nessa obra reconstruímos esse lugar de destaque na cidade com a figura de uma Quituteira, como uma forma de homenagear essas mulheres que nos alimentou, comunicou, sustentou e foi caminho para a libertação, utilizando dessa remuneração para compra de sua e outras alforrias. Imagem utilizada: Crédito: Militão Augusto de Azevedo/Acervo do Museu da Cidade de São Paulo Foto: Gute Garbelotto/CMSP

 

 

 

 

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‘Quem distribui conhecimento alimenta’, série: ‘Cesto Cheio’

 

 

 

Catálogo de obras à venda:

 

 

‘Guia da Conexão’, díptico, 2021

Sublimação sobre Voil, 42 x 20 x 9 cm, R$5.000,00

 

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‘Mãe Preta – Juntando Pedaços’, série: ‘Entre a Transparência refaço o passado’, 2021

Sublimação sobre Voil, 42 x 20 x 9 cm, R$3.000,00

 

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‘Entrelaçamento’, série: ‘Entre a Transparência refaço o passado’, 2021

Sublimação sobre Voil, 42 x 20 x 4,5 cm, R$3.000,00

 

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‘Sustentação’, série: ‘Entre a Transparência refaço o passado’, 2021

Sublimação sobre Voil, 42 x 20 x 4,5 cm, R$3.000,00

 

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‘Obelisco da Memória’, série: ‘Entre a Transparência refaço o passado’, 2021

Sublimação sobre Voil, 42 x 20 x 4,5 cm, R$3.000,00

 

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‘Quem distribui conhecimento alimenta’ (díptico) série: ‘Cesto Cheio’, 2021

Sublimação e costura sobre tecido, 20 x 27 x 9 cm, R$5.000,00


 

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Empena: ‘Na terra está a nossa ancestralidade’. Foto: Marcelo Pimente

 

 

Exposição individual Soberana ZIZA

Choque Cultural

Alameda Sarutaiá, 206 – Jardins

Abertura: sexta-feira, 5 de novembro

Até 20 de novembro 2021.

Horário de funcionamento:

terça a sexta 11/18h – sábados 11/17h

galeria@choquecultural.com.br