REDE CHOQUE apresenta: Mavi Veloso

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Mavi Veloso é a artista apresentada nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

Mavi Veloso é artista múltipla, que trabalha com artes visuais, dança, teatro, música, artista-etc. Em seus processos criativos Mavi explora a performance como um elemento pulsante nas diversas áreas, investigando a relação entre artista e público, revisando questões políticas, de gênero, resistência, decolonização, transfeminismo e empoderamento.

Migrante da América do Sul para a Europa, em suas produções a artista pesquisa relações entre arte, vida, lutas e ativismo. Mavi incorpora e se apropria de processos de transformação, conflitos e procedimentos de adaptação cultural, além de elementos queer, trans e drag queen para discutir gênero, identidade, sexualidade e deslocamento.

Segundo Mavi: acho que o fazer artístico deveria estar muito mais atrelado à vida das pessoas. A experiência estética como potente forma cognitiva. Como quando não se enxerga e então se apura os ouvidos, como quando não se escuta, mas vê não só com atenção e sim com propriedade, como quando se tateia procurando com a acuidade de quem de fato se sensibiliza a partir disso que passa, então, a conhecer. Leio estas sentenças como quem precisa revisitá-las com frequência para que esta compreensão não caia no esquecimento, por considerar a construção/elaboração artística diária com tal relevância.

Mavi converte seu corpo como espaço/ação/exposição que coloca no embate a tradição falocêntrica e heteronormativa, pertuba as percepções rígidas que enxergam o mundo sob a ótica binária, reverberando em suas obras os referenciais queer, expondo as variações e as transmutações da sexualidade e de gênero, rejeitando definições estáveis.

Nas diversas mídias utilizadas por Mavi, a artista trabalha com a ideia de transcriação, que ecoa em sua produção como elementos autobiográficos, que transpõem a experiência como subsídios que atravessam sua subjetividade. Para Mavi os modos de fazer se dão exatamente assim, interlocutando-se, intercruzando-se, a dança, performance, as artes visuais, a poesia, música, bem como a moda, design, arquitetura…, como meios para criação de ambiências que nos engulam, transtornando-nos, transportando-nos através e além de nossa percepção. Para que eu e outro possamos discutir alguma esfera ética, política, social, psicológica, sensível disso que nos rodeia

Também é possível ver na produção de Mavi um corpo coletivo, suas ações são carregadas de participações entre outres artistas, coletivos, em diferentes situações, na colaboração de diversas pessoas e lugares que transitam pelas obras, nas diferentes linguagens que reafirmam sua multiplicidade e as subjetividades imprecisas.

Mavi Veloso ataca as tradições repressoras, buscando estrondar um passado, causando rupturas, diluindo as fronteiras das artes e dos modos sociais rígidos e ultrapassados, através do seu estar no mundo, de um corpo sem barreiras, que faz da vida arte em performatividade, arte como campo ampliado e campo de batalha. Mavi é corpo em expansão de si para si e de si para outres.

 

 

 

vídeo completo:

Mavi Veloso. MUDA / MUTE, 2016/2019. Performance e Vídeo-Performance. Duração Performance: 40min.

 

Conceito e performance: Mavi Veloso. Colaboração em processo de criação: Caio Cesar. Colaboração em pesquisa de som Glenn Ryszko. Colaboração em apresentações anteriores, Raphael Daibert,Olga Dimitrijević.

Durante a performance, o público é convidado a fotografar a performance com flash. O vídeo que lhes apresento aqui de 18min17sec, foi editado mostrando os momentos de luz, ou seja, os momentos em que o flash das câmeras foi ativado.

MUDA/MUTe abre a trilogia dentro do projeto #iwannamakerevolution, um projeto de pesquisa sobre deslocamento, em trânsito e corpos mutantes conduzidos no Master of Voice em o Sandberg Instituut em Amsterdã, pesquisa postmaster na A.PASS em Bruxelas, Bélgica, e projeto de residência em ArtsEverywhere.ca. Com discussões sobre migração, gênero, política e a apropriação do processo de transformação do corpo de pessoas em transição de gênero, corpos não binários e pessoas da experiência transgênero, diferentes criações no desempenho, fotografia, texto e música são elaboradas.

MUDA / MUTE é uma coreografia gerada por meio de som e é música gerada por coreografia. Acontece no escuro quarto. O artista está com os olhos vendados. O público é convidado a participar usando telefones e câmeras com flash. Isto será a única maneira de ver as imagens sendo desenvolvidas gradualmente com contraste entre luz e sombra. Usando diversos elementos para desestabilizar o corpo e o espaço, o artista lentamente desenha movimento na escuridão desafiando e manipulando nossa percepção.

 

 

Eu Vou Me Piratear, 2015, Curta-Metragem / Documentário / 20min.

Curta metragem em colaboração: Daniel Favaretto, Dudu Quintanilha, Glamour Garcia, Mavi Veloso, Dani Pinheiro.

Elenco: Dudu Quintanilha, Glamour Garcia, Mavi Veloso, Dani Pinheiro.

Curta-Metragem / Documentário / 20’.

Direção: Daniel Favaretto e Dudu Quintanilha.

Produção Executiva: Luiza Marques.

Direção de Fotografia: Tiago Pinheiro.

Operador de Câmera: Alexandre Bellelis.

Maquiagem: Carlos Rosa.

Mixagem: Maurício Zani.

Finalização: Francis Girard.

 

Documentário híbrido que acompanha performances, vivências e depoimentos de três artistas queer na cidade de São Paulo.

 

 

 

Preta, 2012-2013. Performance + Vídeo + Foto. Trabalho em colaboração: Alex Cassimiro, Andrez Lean Ghizze, Caio, Eidglas Xavier, Mavi Veloso, Teresa Moura Neves.

https://projetopreta.tumblr.com/

 

Vídeo que apresento: doc preta 2013 , 26min42, video por Mavi Veloso no CCSP 2013.

Preta é uma proposta de ambientes a serem vivenciados, para cavar materialidades interpessoais através do uso de uma vestimenta especial e todas as relações possíveis para ser estabelecido com aquele que dela se apropria. Usando preta, um indumentária desenvolvida pelo artista e estilista Alex Cassimiro a partir das burcas, considerando alguns cruzamentos com os artistas brasileiros Lygia Pape, Hélio Oiticica e Lygia Clark, criando e recriando um imaginário fantástico e também se inspirando em imagens de moda os artistas Alex Cassimiro, Andrez Lean Ghizze, Caio, Eidglas Xavier, Mavi Veloso e Teresa Moura Neves propõem ocupação de espaços investigando estados performativos e tensões entre artista, a própria roupa, os lugares e seus habitantes.

Projeto iniciado dentro do artista Jardim Equatorial / COMO clube residência em São Paulo / BR (2012-13); Premiada pela Concurso de Mediação em Arte 2013 – 2ª Edição – Centro Cultural São Paulo.

 

 

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Projeto Marcus Vinícius com Mavi. Performance ‘NO ONE’ Ninguém. Collab Denise Alves-Rodrigues. Performa Paço, Paço das Artes, São Paulo, 2011.

Vídeo registro da performance: 26min31. Edição Denise Alves Rodrigues.

 

Neste trabalho, o performer Marcus Vinicius convidou a mim, Mavi Veloso (eu que então também ainda me chamava Marcus Vinícius), para estar/ser/representar ele mesmo em sua performance No One (Ninguém).

 

 

05A - glove_segunda pele

 

05B - IMG_7350-2

Mavi Veloso, Projeto Trans_Impressões ao Redor, 2012/2013. Série de trabalhos com performances, fotografias, vídeos, objetos etc. Luva/segunda pele

 

05C - trans scans_autoportrait postcards1.

 

05D - trans scans_autoportrait postcards2.

 

05E - trans scans_autoportrait postcards3.

 

 

 Mavi Veloso, Projeto Trans_Impressões ao Redor, 2012/2013. Série de trabalhos com performances, fotografias, vídeos, objetos etc. Luva/segunda pele | trans scanners | trans (experimentos de metrô) | trans_private experiments .

 

Colaboração: Alex Cassimiro, Ana Dupas, Andrez Lean Ghizze, Beto Grimaldi, Caio, Damares D’Arc, Dani Spadotto, Eidglas Xavier, Emilia Picinato Aidar, Gabi Vanzetta, Glamour Garcia, Tight Rope / 2boys.tv (Canadá), Jonatas Andrade, Lucas Kakuda, Marcus Vinícius, Núcleo do Dirceu, Benoit Izard, Thelma Bonavita, Casa Selvática (Curitiba, PR), coletivo MANADA, Nadia Granados (Colômbia), Higor Mejia, Yang Dallas.

 

Uma pesquisa multimídia discutindo gênero, sexualidade, dança, performance, moda, fotografia e vídeo. Uma obra em processo, em trânsito por lugares, estabelecendo parcerias com outros artistas, construindo rotas, ambientes: a permanência e a não permanência, regras, comportamento, ética, movimento das massas, cotidiano e extracotidiano, relações pessoais e geográficas.

Desenvolvido com o COMO clube dentro da residência artística JARDIM EQUATORIAL / COMO clube 2012/13.

 

 

 

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Estela Triunfo, Iden, ”, Londrina, 2010. Performance in maninfestarte 2010, Londrina PR/BR

 

 

06C - quase todos nus, fts nati lima

Mavi Veloso, Quase todos Nus, 2010. almost all nude (give myself completely) trust suspiciouly in a stranger. Performance in maninfestarte 2010, Londrina PR/BR | phts: Nati Lima, Camila Fontes , Higor Mejia

 

 

 

Mavi Veloso e Thaís Dalla, despétals repétalas – manifesto-me em ti reconstruo-te em mim, 2010. Zanna | performance no maninfestarte | Casa de Cultura UEL_Artes Plásticas.

Fotos: Estela Tiemy, Letícia Albanez, Natália Lima Castro.

Maninfestarte,.Londrina, 2010 – https://maninfestarte.tumblr.com/

Concepção: Mavi Veloso; Coord: Mavi e Yara Balboni; Assessoria: Fernanda Magalhães; Produção e Realização: coletivo MANADA.

maninfestarte londrina 2010, evento com iniciação e atenção às manifestações artísticas: intervenções urbanas, performances, instalações, ritual, teatro, dança, corpo, palavra, som, fotografia, invenções, intervenções, manifestação, infestação, ação, criação, recreação.

 

 

 

 

08A - #00 march 13, 2013 4.

As impressões digitais são detalhadas, quase únicas, difíceis de alterar e duráveis ​​ao longo da vida de um indivíduo, tornando-as adequadas como marcadores da identidade humana.” Esta série de foto-performance estabelece um paralelo com o procedimento de impressões digitais usadas como marcas de identificação. Fotografias feitas por scanner documentando desde 2013 diferentes momentos e transformações da transição de gênero de Mavi Veloso. O rosto, diferentes partes do corpo e objetos, textura da pele, redistribuição de gordura e cabelo. Mudanças na performatividade, o uso de diferentes tecnologias de sexualidade e de gênero, reajustes que alteram a identidade de um sujeito e a presença na vida social, política e artística.

 

 

08B - #04 sept 17

 

08C - #16 fingerprints apr 1 2017

 

 

 

 

 

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Mavi Veloso. Série DOIS, 2007. Tinta, guache, acrílico na sobra da tela. 89,3 x 71, 4 cm.

 

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10A - GAL profana final

Mavi Veloso, Alex Cassimiro & Natália Lima Castro. Re_Cover, 2014. Série fotográfica / capa disco vinil. 31 x 31 cm. Obra presentes no acervo do Projeto Armazém. Re_Cover é uma reinterpretação queer que adapta o Tropicalismo à atualidade. Nesta série fotográfica reproduzimos capas de alguns álbuns dos artistas Caetano Veloso, Gal Costa e Ney Matogrosso reposicionando Tropicália para uma perspectiva queer. Portanto, questionando o movimento artístico, como ele influencia o Brasil e o mundo culturalmente e como se relaciona com o queer.

 

 

10B - CORES E NOMES

 

 

10C - ney-seu tipo -® Alex Cassimiro, Mavi Veloso e Nat+ília Lima Castro

 

 

10D - pois +® final

 

 

10E gal tropicaL final

 

 

10F1 - MUITOS BRASILEIROS FINAL 1

 

 

10F2 - MUITOS BRASILEIROS FINAL 2

 

 

10G - erteza da pureza final

 

 

Diretamente do planalto central mineiro para o mundo, atualmente vivendo em Amsterdam, Mavi é uma camaleoa e gosta de fazer doçuras e travessuras e bruxarias, confundindo, questionando, deliciando e iluminando nossas mentes enquanto dançamos. Transdisciplinar por essência, atriz, dançarina, performer e cantora, seu trabalho explora performatividade, a relação entre artista e público, trans feminismo, decolonização, políticas de gênero, ansiedade sexual, sobrevivência, resistência, resiliência e empoderamento. Atrevida e versátil, em suas criações Mavi espera fazer com que as multidões mudem sua perspectiva, convertendo normatividade cisgênera em um caos total, mais desconstruído e diversificado.

 

 

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Créditos do retrato: Mavi Veloso