REDE CHOQUE apresenta: Diego de los Campos

00 - Retrato do Artista Diego de los Campos

Créditos do retrato: Diego de los Campos (autorretrato)

 

Diego de los Campos é o artista apresentado nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

O artista Diego de los Campos utiliza-se de distintas ferramentas, linguagens e operações para construção de suas obras. Artista múltiplo, indo dos meios tradicionais a tecnologia, Diego tem um processo de criação onde opera pelo multimeio, suas obras vão para além da materialidade, são impregnadas de imaginação, humor, ironia e questionamentos políticos. 

Nas séries aqui apresentadas, o que vemos são seres amorfos, que se fazem presentes pelos retratos, antirretratos e autorretratos. Ora o artista questiona figuras políticas, ora produz seres acéfalos ou faces em transformação, ora interroga a si mesmo como ser em constante deriva e movimento. Para Diego a arte não produz apenas o “belo” mas está para questionar, para além da beleza, gerar interrogações e incomodações, como na filosofia, a arte está para apresentar ideias. 

Segundo o artista “entendo a arte como uma forma do pensamento, ou um lugar onde o pensamento toma forma sem a necessidade do discurso linear e causal. É um dos meios que temos para criar imagens e acontecimentos que vão na contramão daqueles impostos pela sociedade de consumo. Penso que há nas artes um sentido de justiça que tenta balançar a forma piramidal na qual o poder é estruturado, criando imagens que transitam na direção oposta às imagens que são direcionadas para perpetuar a dita estrutura de poder.”

Arte como pensamento, como corpo-desejante, que deseja ser processo de criação constante, fugindo das normatizações e criando rizomas, corpos sem bordas, em processos de desterritorialização, Diego provoca o olhar e propõe produzir diferenças, que desloca aquilo que se tem como fixo e sólido. 

O sujeito da diferença também por vezes não sabe para onde ir, mas isso não se torna motivo para paralisar-se. Afecção, palavra pulsante na produção do artista, em um corpo que afeta e é afetado, que produz rizomas, encontra linhas de fuga, que geram choques territoriais que propulsionam movências, que nos colocam em redes. O corpo desejante de suas obras nos provoca a não sermos apenas espectadores, mas estarmos nos agenciamentos maquínicos de corpos, de ações e paixões, na mistura de corpos que reagem uns sobre os outros. 

Como máquina-desejante, as obras de Diego produzem nos corpos que se deixam atravessar o desejo de fuga de tudo que domestifica e enquadra a humanidade. 

Corpos que prospectam atualizações de formas e que divergem da involução que destina o mundo das normatividades. Corpos em redistribuições incessantes, que não se destinam a papeis que os aprisionam e os rotulam, que não conduzem a experiência em exercícios regulados, codificados. Deslimitar o corpo, diluir as fronteiras, potencializar os encontros e os modos que os corpos se movem. Marchas em devires que nunca se detém em forma. 

 

 

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Diego de los Campos. Da série Uma Outra Natureza, 2019. Óleo sobre PVC, 120x90cm.

 

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02 A

Diego de los Campos. Da série Alcapony is Back, 2017. Acrílica sobre papel, 56x40cm

 

02 B

 

02 C

 

02 D

 

02 E

 

02 F

 

 

 

 

 

03 A

Diego de los Campos. Da série Antirretratos, 2016. Nanquim sobre papel, 210x100cm

 

03 B

 

03 C

 

03 D

 

03 E

 

 

 

 

Diego de los Campos. Pequena tentativa desvanecente, 2010. Videoarte, 11 minutos.

 

 

 

Diego de los Campos. Sobre como digerir uma lembrança, 2009. Videoarte, 15 segundos.

 

 

 

Diego de los Campos. Exercício para comprimir pensamentos, 2011. Videoarte, 49 segundos.

 

 

 

Diego de los Campos. Purge, 2010. Videoarte, 1 minuto.

 

 

 

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Diego de los Campos. Monotipias, 2005. 42x31cm. Obras presentes no acervo do Projeto Armazém.

 

05 B diego Acervo

 

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Diego de los Campos nasceu em 1971, em Montevidéu no Uruguai. Formado em 1997 na Faculdade de Artes da Universidade da República, Uruguai. Desde 1999 reside no Brasil, foi selecionado em salões de arte contemporânea como o de Piracicaba, Ribeirão Preto, Arte Pará e o Salão de Natal, entre outros. Em 2011 expõe individualmente no Museu Victor Meirelles “Simpatia”, exposição que virou itinerante pelo Sesc de Santa Catarina. Em 2016 expõe no Museu de Arte de Blumenau, na Sala Municipal Vichietti e no Instituto Internacional Juarez Machado, a série “Antirretratos”, e no Masc, “Desenhos de um Real”,  4 mil desenhos feitos em menos de 3 minutos cada, para serem vendidos por um Real. Indicado ao Prêmio Pipa de 2019. Desde 2010 forma parte do Coletivo Artístico Nacasa onde tem seu ateliê e dá cursos de arte multimídia.

 

 

06 - Diego de los Campos.

Diego de los Campos. Autorretrato, 2017. Acrílica sobre páginas de livro 220 x 110cm