REDE CHOQUE apresenta: Allan Cardoso

00A Retrato 1

Créditos do retrato: Júnior Morimoto

 

Allan Cardoso é o artista apresentado nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

O artista Allan Cardoso apresenta múltiplas camadas em suas obras, mergulhando na História da Arte, em construções estéticas e linguagens visuais que convergem com o contemporâneo, dialoga com o ser e estar no mundo, compreendendo-se enquanto corpo informe, não modal, que questiona os padrões sociais. Allan se encontra dentro do movimento artístico Queer, interroga o binarismo bem como os padrões cisheteronormativos.

O artista estabelece um diálogo entre uma intimidade construída pelo gesto biográfico que incide em sua produção artística, de maneira a reinventar uma política do singular e versa, também, pela fabulação.

Na perspectiva da Arte Queer, a singularidade de cada corpo/artista expõem a si mesmos(as). Isso quer dizer que trabalham com seus próprios delírios, fragilidades, corporalidades e sexualidades. Sugerem-se como modelos ou propõem a outres como modelos de si. Narram as suas próprias experiências e vulnerabilidades, não se identificam com as classificações. Nessa perspectiva, o que encontramos na produção de Allan é uma instigante pesquisa entre a produção artística que também interroga e liberta a existência humana das formas, dos modos de ser e estar no mundo.

Assim, Allan se situa diante de sua própria imagem, colocando-a em movimento, tensionando-a ao limite para fazer surgir algo inesperado que possa carregar eticamente o nome de arte e, também, numa postura política sobre a vida, ou melhor, sobre as vidas que sua existência pode clamar. Narciso não é apenas um espelho de si, mas é alteridade quando convoca uma perspectiva do outro, como alguém que tenta descobrir, nos espaços escondidos e nos reflexos, as marcas plurais no mundo.

Nas peças imprecisas, nas/nos/nes personagens que Allan expõe e contrapõe esses diferentes olhares, compondo retratos/autorretratos como uma espécie de relampejar, ao mesmo tempo, objeto e voyeur, personagem e autor, produzindo embaralhamentos.

No conjunto das obras apresentadas em dialética, são imagens críticas que nos obrigam a olhá-las verdadeiramente em suas mudanças e transformações.

A composição desta pesquisa se relaciona com algo que é, ao mesmo tempo, transformação e sobrevivência, dimensão do vestígio entre realidade e ficção. Na medida em que o trabalho se constitui e os vestígios são recolhidos, aparecem as ambiguidades e contradições, que nos mostram a descontinuidade e a fragmentação. São imagens-vestígio, e, nelas, há a marca de uma incompletude que resgata o tempo fazendo reviver a partir de uma lógica da não linearidade mas de um aprofundamento de si, que possibilita um mapa interno ressurgido como combinatória dessas experiências com o interior e o exterior.

O exercício de Allan como artista é criar uma dimensão do íntimo e do singular numa avalanche de imagens que nos arrasta. No lugar da certeza que fecha o circuito do visível no legível, Allan propõe um princípio de incerteza, uma rasgadura do olhar que vem à tona nas observações tecidas em torno de suas obras, nas fraturas, nos ritmos e nos choques que a abertura de suas imagens causam.

Ao confirmar sua concepção da vida como uma performance contínua, que visa uma diluição proposital das fronteiras entre realidade e ficção, através de imagens nas quais se infiltra com frequência, numa dimensão autobiográfica que visa a alteridade. Seu trabalho não consiste simplesmente em imaginar ou projetar um eu, mas tomar esse próprio eu como estilhaçado e a arte como território em pluralidades, em camadas, numa dimensão subjetiva das experiências não desenhadas, pois é uma cartografia de uma existência em constante devir.

 

 

01 - Eco pintando narcisos em si.

Allan Cardoso Eco pintando narcisos em si, 2018 Acrílica e óleo sobre tela 200 x 160 cm Obra presente no acervo do Projeto Armazém em formato de cartaz, 30x40cm

 

 

02 - Tendency to blue.

Allan Cardoso e Katia Speck Tendency to blue, 2018 Fotografia digital 42x60cm Registro Fotográfico: Allan Cardoso e Katia Speck Obra presente no acervo do Projeto Armazém

 

 

03 - Seis faces da paixao.

Allan Cardoso Seis faces da paixão, 2017. Acrílica sobre tela, 183 x 143 cm

 

 

04 - Ultraflorescer.

Allan Cardoso Ultraflorescer, 2017 Óleo sobre tela 183 x 143 cm

 

 

05A - Um ceu sem validacoes 2.

 

05B - Um ceu sem validacoes 1.

Allan Cardoso Série “Um céu sem validações”, 2019 Fotografia digital Dimensões variadas

 

 

06 - Um limao ao dia.

Allan Cardoso e Klara Avsec Um limão ao dia, 2020 Fotografia digital Dimensões variadas Registro Fotográfico: Allan Cardoso e Klara Avsec

 

 

07 - Ha algo em minhas costas.

Allan Cardoso e Júnior Morimoto Há algo em minhas costas, 2019 Fotografia digital Dimensões variadas Registro Fotográfico: Allan Cardoso e Júnior Morimoto

 

 

08A - Voce ainda nao sabe 1.

 

08B - Voce ainda nao sabe 2.

Allan Cardoso Série “Você ainda não sabe”, 2020 Fotografia digital Dimensões variadas

 

 

09 - Voce sofrera eternamente a influencia do meu beijo.

Allan Cardoso Você sofrerá eternamente a influência do meu beijo, 2017 Acrílica e óleo sobre tela 150 x 100 cm

 

 

10 - Queda livre de um narciso nas delicias terrenas.

Allan Cardoso Queda livre de um narciso nas delícias terrenas, 2019 Acrílica sobre tela 62 x 112 cm

 

Allan Cardoso nasceu em Florianópolis/SC em 1996.

Artista Visual, utiliza das intersecções entre pintura, performance, vídeo e fotografia para desenvolver suas pesquisas voltadas atualmente à relação entre identidade e gênero, frequentemente trazendo alegorias e conhecidas historias míticas ou de experiências pessoais.

No começo de sua trajetória na pintura, já buscava uma representação performática mesmo no meio pictórico bidimensional. Ao longo de sua trajetória esta preferência pela linguagem foi se ramificando, buscando manter estas conexões e influencias entre diferentes mídias. A composição estrutural e cromática do pictório é refletida nas videoperformances, aprofundadas em 2019 no período em intercambio na Universidade de Porto (Portugal), enquanto as pinturas parecem também trazer uma narrativa e noções que vem da imagem digital.

Allan é formado em Artes Visuais, pela Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC. Vive e trabalha em Florianópolis.

 

00B Retrato 2.