REDE CHOQUE apresenta: Fefa Lins

00 - Fefa Lins retrato

 

Fefa Lins é a artista apresentada nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

A artista Pernambucana Fefa Lins traz em seus trabalhos investigações e inquietações que surgem de seu processo artístico em relações ligadas à sua vivência enquanto corpo discordante, tendo como disparo reflexões sobre sexualidades e corpos não normativos.

Sua relação com a arte começa ainda na infância, motivada pelo desenho e depois pela pintura. Cursa Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Pernambuco, mas é na arte, na imersão da pintura, que encontra espaço para dialogar e se comunicar com o mundo. 

Numa relação íntima com a pintura, Fefa parte do figurativo em seus processos pictóricos, buscando no discurso contemporâneo maneiras de apresentar pelas imagens reais e também pelo imaginário, uma intersecção que propõe criar novas narrativas. Entre pessoas, animais, objetos, cenas diversas, o elemento pulsante no trabalho de Fefa é o retrato, que em variação, traz para as cenas os personagens que ganham pelo olhar da artista expressões fortes, tornam-se corpos-políticos. Em muitas de suas pinturas Fefa se autorretrata, trazendo as variações também de si, enquanto matéria de observação e transformação constante. Como referência para suas composições, muitas vezes a artista utiliza-se de fotos, partindo delas e recriando-as com outros elementos em suas pinturas a óleo, em enxertias que propõe diálogos entre a ficção e a realidade.

Na reunião desses corpos, corpos femininos, Fefa fala sobre a vida, traz muitas coisas de sua vivência, do cotidiano, da experiência do mundo pelo que atravessa seu corpo. As ruas próximas por onde caminha em Recife, as paisagens que percorre, o animal de estimação, o seu próprio corpo como subsídio.

Segundo Fefa eu sou essa corpa, eu sou uma sapatona nesse contexto, que começa a se reconhecer pela arte e entender o seu lugar dentro da pintura, que reflete também a interrogação, quem veio antes de mim? Quais mulheres artistas vieram antes de mim? O espaço da arte e do mercado são altamente cis-heteronormativo. Mas é visível que recentemente estão acontecendo algumas mudanças nesses espaços, nas galerias, entre os curadores e os circuitos, cada vez mais estão se atentando à necessidade de trazer essas outras pautas. Quando se fala do corpo e da sexualidade feminina, que não está sendo feita pelo homem e para o homem, isso causa estranhamento. Fico feliz de saber que apesar do processo solitário da pintura, não estou fazendo algo que é apenas meu, fala de uma comunidade, que faz parte da vida de outras pessoas ao se refletirem nas obras que produzo.

Apesar de sempre ser encantada pela pintura, Fefa reafirma o incomodo de não se sentir representa nas obras em seu contexto histórico, bem como no contemporâneo. Romper os padrões e evidenciar outros corpos retratados, muitas vezes corpos nus de mulheres sapatônicas como evidencia Fefa, corpos dissidentes, e o próprio corpo como ponto de partida para entender o mundo.

A obra de Fefa é necessária, urgente, dá à mulher o poder e autonomia para falar sobre si, para falar sobre desejos, afetos, sexualidades, sem ser mediada ou objetificada pelo patriarcado, discute e reverte os sistemas da arte. Amplia, comunica, cria redes e atravessa outros corpos que se fazem pertencentes. Reflete sobre o processo pessoal da artista, mas atravessa outros corpos, fala sobre feminismos possíveis. Fefa convida ao espectador uma aproximação intimista, em capturas de cenas que retrata cotidianos. Intimidades que convidam para a observação, mas que vão para além do olhar voyer.

 

 

01 - 2018 Auto.

Autorretrato, 2017. Óleo sobre painel. 40x40cm.

 

 

02 - 2018 fefa lins.

Sem título, 2018. Óleo sobre painel. 90x60cm.

 

 

03 - 2019 encontro barroco

Pantonasa, série Fracassos Barrocos, 2019. Óleo sobre tela. 105x105cm.

 

 

4

Pantonasa, série Fracassos Barrocos, 2019. Óleo sobre tela. 105x105cm.

 

 

5

Quebrar da Aurora, 2020. Óleo sobre tela. 155x85cm.

 

 

6

Motoqueira, 2020. Óleo sobre tela. 88x88cm.

 

 

7

Voyeristas, 2019. Óleo sobre tela. 60x100cm. Obra presente no acervo do Projeto Armazém. Múltiplo com tiragem limitada, enumerado e assinado pela artista. Impressão em Fine Art em papel Rag Photo, 100% algodão e pigmentos minerais, 25×42 cm.

 

 

8

Ostras à trois, 2018. Óleo sobre painel. 40x50cm.

 

 

09 - 2018 atenciosamente, da sua animalidade.

Sem título, 2018. Óleo sobre painel. 60x90cm.

 

 

10 - 2020 minha poesia ainda copia a tua gra+ºa

Minha poesia ainda copia a tua presença, 2020. Óleo sobre tela. 35x35cm.

 

 

Fefa Lins nasceu em 1991 em Pernambuco. Reside em Recife. É formada em Arquitetura e Urbanismo pela UFPE.

Artista Visual, Fefa se utiliza da pintura como linguagem para manifestação de suas obras. No ateliê, Fefa Lins também dá aulas de pintura para quem já tem experiência, bem como para quem ainda não tem contato com as linguagens artísticas.

Em 2015 foi para São Paulo e fez cursos intensivos em ilustração e desenho, experienciando um mergulho entre pessoas que viviam arte e a cidade de São Paulo, algo muito distante até então para a artista. No ano de 2016 participa de diversas exposições coletivas, ressaltando a primeira edição da Práticas Desviantes, no Museu Murilo La Greca. Em 2020 destaca-se sua participação na SP-ARTE.

 

 

00A - Fefa Lins retrato