REDE CHOQUE apresenta: Sebastião Do Aragão

00 - Foto do Artista

Créditos do retrato: Sebastião Do Aragão

 

Sebastião Do Aragão é o artista apresentado nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

Sebastião Do Aragão, Seba como é conhecido, é um artista autoditada que inicia seu percurso artístico nos anos 2000, nas relações entre teatro, performance e instalações tecnológicas, utilizando-se dos espaços urbanos como campo de produção e experimentação para tais ações em coletivo.

Com a pintura, seu envolvimento inicia-se em 2013, com a transformação da casa onde morava como matéria viva e orgânica em constante mudança. A casa apresentada foi iniciada com o apoio de seu pai, um personagem importante para sua construção como artista. As relações criadas entre a atmosfera doméstica e as composições ganham formas externas e internas que também reverberam e conectam-se com a produção das futuras pinturas em tela. A casa passa a ser um ambiente fundamental na produção de Seba, que, por um período dedica-se aos cuidados da saúde de seu pai em tempo integral.

Entre a atenção com seu pai e as experimentações artísticas, os processos de repetição de formas e temas são presentes no percurso do artista. São referências artísticas as pinturas populares mexicanas, suas cores exuberantes e formas, bem como o artista catarinense Meyer Filho (1919-1991). A multiplicidade do folclore catarinense, também é tema de algumas séries de suas pinturas, que, apropria-se dos contos fantásticos de descendência açoriana e indígena, recursos para a construção de suas obras, enquanto repetição de elementos, tanto abstratos quanto os seres híbridos. Os aparentes abstracionismos presentes em algumas de suas obras ressaltam o olhar para o micro das pinturas figurativas, conectando assim, as obras com formas repetitivas aos animais fantásticos.

A série “Papai” ganha ascendência em 2017. Seba olha para o pai, em seu estágio complexo de doença e dependência, a arte faz com que possa continuar a emergir e respirar nesse período, por aquilo que o cerca, na continuidade de suas produções motivadas pelo processo pictórico. As forças das imagens nos momentos diários divididos com o pai se materializam por cores, formas, cenas e composições, como momentos de trocas, na consciência de que a vida do pai estava próxima do fim. Segundo Seba: todos esses processos foram feitos de angústias, tristezas, dores, lágrimas, de raiva, de desespero, de solidão, mas sempre tendo em vista a arte como motivação no olhar para o dia a dia como potência criadora. Seus autorretratos falam de suas dores, seus amores, de uma experiência abissal em um mergulho em si e pelo outro, produzidas em constância com as obras da série “Papai”. Toda a série papai e autorretratos são, para Seba, como um grito, que durou um período de 8 anos de cuidado com o pai e ainda perdura.

Enquanto seu pai passava por transfusões sanguíneas constantes, para Seba, o que mantinha sua sanidade era o processo artístico. Essas séries surgem das entranhas de sua existência e demarcam um período de sua vida e de sua produção como forma de fuga e de momentos de alegria, enquanto esteve como cuidador de seu pai.

Entramos nas séries em que Seba começa uma imersão voltada à palavra, o silêncio, imagens, nas mesclas entre costura, pintura, suportes diversos e bordados como elementos para suas criações. Sua obra ganha camadas híbridas enquanto linguagens, experimentado diversas técnicas. Hoje Seba trabalha com escultura, pintura, gravura, bordado, desenho, fotografia, construindo e pensando suas obras como elementos que falam sobre meio e não fim, a arte como propositora de liberdade.

 

 

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Casa, 2012-2013. Pintura-intervenção na casa do artista, no ambiente externo e interno. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

 

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Sem título, 2016. Acrílica sobre tela. 150×150 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

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Sem título, 2015. Acrílica sobre tela. 100 x 80 cm (cada). Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

04A.

Sem título, série papai, 2017. Acrílica sobre tela. 120 x 80 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

04B.

Sem título, 2018. Acrílica sobre tela. 40 x 55 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

04C.

Sem título, 2017. Acrílica e óleo sobre tela. 120 x 80 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

04D.

Sem título, 2018. Acrílica e óleo sobre tela. 40 x 55 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

05A.

Sem título, 2017. Acrílica e óleo sobre tela. 120 x 80 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

05B.

Sem título, 2017. Acrílica sobre tela. 40 x 55 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

05C.

Sem título, 2018. Acrílica sobre tela. 40 x 55 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

05D.

Sem título, 2018. Acrílica sobre tela. 40 x 55 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

05E.

Sem título, 2018. Acrílica sobre tela. 40 x 55 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte. Sebastião Do Aragão. Sem título, 2018. Óleo sobre tela. 40 x 55 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

05G.

Sem título, 2018. Óleo sobre tela. 40 x 55 cm. Registro fotográfico de Sarah Uriarte.

 

 

06A.

Sem título, 2020. Bordado sobre tecido. 45 x 38 cm aproximadamente.

 

 

06B.

Sem título, 2020. Bordado sobre tecido. 45 x 38 cm aproximadamente.

 

 

06C.

Sem título, 2020. Bordado sobre tecido. 18 x 25 cm.

 

 

06D.

Sem título, 2020. Bordado sobre tecido. 55 x 60 cm.

 

 

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Sem título, 2017. Serigrafia sobre tecido, costurado sobre papel. 42 x 29,7 cm.

 

 

 

08B Seba Acervo 02.

 

 

08A Seba Acervo 01.

Sem título, 2018. Acrílica e costura sobre papel, fita cetim. Série em formato de múltiplo, 14 x 29 cm. Obras presentes no acervo do Projeto Armazém.

 

 

Sebastião Do Aragão nasceu em 1975, em Itajaí/SC. Em 1989 começou a fazer teatro e atuar como ator. A partir de 2000, iniciou uma série de tentativas de, ainda no teatro, experimentar outras possibilidades artísticas autorais. Em 2009 co-fundou o Coletivo Terceira Margem (hoje, Eranos Círculo de Arte), onde trabalhavam com tecnologia/projeção, performance de rua e espaços alternativos, além da autoria dramatúrgica. Neste período foi quando teve os primeiros contatos com a arte contemporânea. Em 2010, iniciou um período de afastamento das atividades cênicas e em 2013 rompe completa e definitivamente com o teatro. Neste mesmo ano volta-se principalmente as Artes Visuais, começa a pintar sua casa, por dentro e por fora, e em seguida passa às telas. Desde então produziu xilogravuras, serigrafias, múltiplos, fotografias, esculturas verticais em madeira, bordados, pinturas e esculturas com cimento. Suas últimas pinturas, figurativas, foram o registro dos últimos meses de vida de seu pai. De junho de 2018 em diante, passa a se dedicar exclusivamente ao estudo e experimentações com escultura, até início de maio de 2020, onde passa três meses como aprendiz no ateliê da escultora N.Dinna, em Arraial D’Ajuda, Bahia. Atualmente mora em São Paulo, capital.

 

 

00A - Forto do Artista 2.

Créditos do retrato: Olintho Malaquias