REDE CHOQUE apresenta: Rosana Bortolin

00A - Foto da Artista

Crédito do retrato: Veríssimo Bortolin Silva

 

Rosana Bortolin é a artista apresentada nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

A artista Rosana Bortolin tem como matéria para construção de suas obras o corpo como elemento central que interage com a Terra, a Cerâmica, o Ninho o Casulo e abre frestas para discutir as relações de poder sobre e do corpo feminino.

Um corpo natureza que nas relações entre arte e vida, investiga os territórios que ocupa, abordando a reprodução e gestação, o corpo da mulher enquanto ninho, casa, casulo, passagem para desdobramentos que se configuram numa relação íntima com a cerâmica e com um corpo em metamorfose.  

Segundo Rosana, “minhas obras traduzem o percurso de estudos, reflexões, pesquisas e procedimentos dedicados à elaboração de um conjunto de trabalhos artísticos realizados com a terra, com a cerâmica, sobre a temática dos ninhos e casulos a partir das vivências que meu corpo atual e consciente tem com a natureza que me cerca. As vivências pelo meu olhar são os envolvimentos e entrelaçamentos entre a arte e a vida. As reflexões desencadeadas por essas vivências fazem uma relação análoga dos ninhos e casulos com a casa e com meu corpo enquanto ninho primordial, abordando a seqüência de fatos que se dá no processo de reprodução da vida. Faz uma reflexão sobre o fazer cerâmico a partir das vivências decorrentes das descobertas da imagem poética, dos ninhos e casulos, que meu corpo operante e consciente percebe na natureza ao meu entorno, e mostra o resultado da pesquisa poética através das imagens das obras.”

Fazer do corpo uma interrogação sobre os sistemas biológicos e afetivos, bem como promover discussões sobre o corpo da mulher enquanto objeto tomado e apropriado por um tecido social que o trata como elemento coletivo e não como composto por subjetividades também se torna matéria de pesquisa da artista.

Habito o mundo percebendo as coisas da natureza, e a biologia é um assunto que me fascina. A convivência que tenho com os elementos da natureza, morando ao lado de uma pequena mata à beira de um manguezal na Ilha de Santa Catarina, proporciona-me um olhar seletivo alusivo ao ciclo de vida das plantas e dos pequenos animais. Respiro a própria natureza, acolho suas imagens e as trago para o meu universo, para minha arte, digerindo-as e modelando-as, sentindo-as com o meu próprio corpo.

 

A partir das vivências de seu corpo com a natureza que a cerca, a artista propõe uma analogia dos ninhos e casulos, com a casa, com a cidade, com a vulva e com o corpo enquanto ninho primordial.

Assim, o universo feminino é tema inerente presente no processo criativo de Rosana, entre corpo-natureza, nas relações entre o fecundar e o gestar. Também nas relações entre sagrado-profano, palavras atribuídas pelo sistema político e sócio cultural ao corpo feminino estão em suas pesquisas como organismo moventes, são sistemas pujantes que surgem de suas obras.

A partir de moldes da própria vagina e de fotografias que se revertem em múltiplas possibilidades e formatos, Rosana Bortolin realiza micro intervenções na paisagem e nos espaços urbanos, nos lugares por onde transita, suas reflexões se direcionam e problematizam o controle e as relações de poder, impostas ao corpo feminino, pelo patriarcado.

Ao avistar elementos biopoliticos e ecofeministas, que ligam os feminismos com a ecologia, e na maneira de estar no mundo, Rosana Bortolin olha para si nesses espaços possíveis e sensíveis de habitação, revertendo-se em corpo operante que tateia os movimentos e entrelaça mundos na potência do existir enquanto corpo em processo contínuo de revisitação e transmutação, que opera poesia, que pulsa e questiona.

 

 

01A

Peito de Barro, 2018. Foto performance e cerâmica. Fotografia: 50 cm x 75 cm. Fotógrafo: Danisio Silva. Acervo: Museu Nacional de Cerâmica, Opishne, Ucrânia

 

 

01B

Peito de Barro, 2018. Foto performance e cerâmica. Cerâmica: 20cm x 20cm x 7cm. Fotógrafo: Danisio Silva. Acervo: Museu Nacional de Cerâmica, Opishne, Ucrânia

 

 

02A

Casulo, 1999. Casulo de vespa queimado a 1000 °C, 1999. Fonte de descoberta da imagem poética, desencadeadora da pesquisa Habitar Ninhos.

 

 

02B

Ninhos XIII, 2004. Cerâmica queimadas a 1150 °C. Cerâmica: 20cm x 20cm x 40cm. Fotógrafo: Danisio Silva. Acervo: Prêmio RAB – Zagreb, Croácia.

 

 

02C

Ninhos I, 2004. Cerâmica confeccionada com argilas de tonalidades diferentes, queimadas a 1150 °C. 15cm x 23cm x 35cm Fotógrafo: Danisio Silva Acervo: Coleção Cristina Rosa Fonseca da Silva

 

 

02D

Ninhos II e III, 2004. Cerâmica confeccionada com argilas de tonalidades diferentes, queimadas a 1150 °C. 20cm x 20cm x 40cm e 15cm x 16cm x 27cm. Fotógrafo: Danisio Silva. Acervo: Concurso Internacional de Cerâmica – Bienal di Faenza 2005, Museu Internacional de Cerâmica, Faenza, Itália (2005).

 

 

03A

Condomínios Inteligentes, 2006. Caixas de acrílico sobre madeira e Casulos de insetos naturais e queimados/esmaltados a 1000 °C, 1999. 100cm x 130cm. Fotógrafo: Danisio Silva. Acervo: Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, Passo Fundo, RS, em decorrência da Exposição Condomínios Inteligentes (2010).

 

 

 

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Meu Corpo é seu Ninho, 2003/2004. Fotografias da artista banhada em argila – Ensaio fotográfico realizado em 2003, com câmera analógica, da artista banhada em argila em fase final de gestação, concebido como obra em 2004. Dimensões Variadas. Fotógrafo: Danisio Silva

 

 

 

05A

Aninhados, 2006. 5 Almofadas com impressões do corpo da artista sobre tecido. 150cm x 90cm cada almofada. Fotógrafo: Danisio Silva.

 

 

 

06A

Ciranda Branca, 2017. Peças de cerâmica branca queimada a 1100º C, cunhadas a partir de molde da vulva da artista. 50cm Ø X 13cm. Fotógrafo: Danisio Silva.

 

 

06B

Oferenda Branca, 2009. Peças de cerâmica branca queimada a 1100º C, cunhadas a partir de molde da vulva da artista. 50cm Ø X 13cm. Fotógrafo: Danisio Silva.

 

 

06C

Ciranda Vermelha, 2017 Peças de cerâmica vermelha queimada a 1100º C, cunhadas a partir de molde da vulva da artista. Dimensões: 50cm Ø X 13cm. Fotógrafo: Danisio Silva.

 

 

07A

Oratório Vermelho, 2011/2012. Oratório de madeira com peça cerâmica feita a partir de molde de parte erógena do corpo da artista, tecido. Dimensões: 29 cm X 19cm X 16cm Fotógrafo: Danisio Silva Obra presente no acervo do Projeto Armazém em outra versão de oratório.

 

 

08A

Sujeição, 2011. Fotografia da artista, com a boca vedada, por peça de cerâmica feita a partir de molde de parte erógena do próprio corpo. 70x50cm Fotógrafo: Danisio Silva. Obra presente no acervo do Projeto Armazém.

 

 

08B

Sujeição, 2011. Fotografia da artista, com a boca vedada, por peça de cerâmica feita a partir de molde de parte erógena do próprio corpo. Dimensões variadas. Fotógrafo: Danisio Silva.

 

 

08C

Sujeição II, 2012. Fotografia da artista, com peça de cerâmica feita a partir de molde de parte erógena do próprio corpo sobre a cabeça. Dimensões variadas. Fotógrafo: Danisio Silva

 

 

 

09A

Crucifixo, 2007. Fotografias da intervenção urbana “Passagem”, realizada em 2007, dispostas em formato de cruz. 120cm X 90cm. Foto: Danisio Silva.

 

 

09B

Passagem, 2007 Intervenção Urbana, com adesivo, de imagem de parte erógena do corpo da artista, colada no teto de seu automóvel. 120cm X 90cm. Foto: Danisio Silva.

 

 

010A

Sudário, 2008. Fotografia de marisco impressa sobre tecido, fotografado novamente com o tecido suspenso pelas mãos de uma modelo e posteriormente impresso sobre tecido. Dimensões Variadas. Foto: Danisio Silva (2008).

 

 

010B

Sudário, 2008. Intervenção urbana com Outdoor. Imagem de Fotografia de marisco impressa sobre tecido, fotografado novamente com o tecido suspenso pelas mãos de uma modelo e posteriormente impresso sobre papel e colado em outdoor na Av. Beira Mar Sul em Florianópolis. Dimensões Variadas. Foto: Danisio Silva (2008).

 

 

010C

Sudário, 2008. Intervenção urbana. Fotografia de marisco impressa sobre tecido, fotografado novamente com o tecido suspenso pelas mãos de uma modelo e colado no vidro traseiro de ônibus nas cidades de Florianópolis e Lages. Dimensões Variadas. Danisio Silva (2008).

 

 

Rosana Bortolin nasceu em 1964, em Passo Fundo/RS, é artista visual, professora, extensionista e pesquisadora (Grupo de Pesquisa Articulações Poéticas) do DAV/CEART/UDESC. Coordena o Laboratório Institucional de Cerâmica / LIC. Coordena o Programa de Extensão Universitária NUPEART Pro…move e participa do Programa de Extensão Ações Poéticas. Coordena o Espaço Oficina – Galeria Estúdio.

Licenciada e Bacharel em Desenho e Plástica; e, Especialista em Cerâmica (Latu Sensu) pela Universidade de Passo Fundo/RS, com a monografia “Oleiros: profissão em extinção”; Mestre em Poéticas Visuais (Strictu Sensu) pela Escola de Comunicação e Artes – ECA/USP, com a Dissertação “Ninho, casa e corpo”; Doutoranda em Investigación y Creación en Arte Contemporâneo, na Universidade do País Vasco-UPV; realiza estágio de doutoramento europeu na FBAUL-Lisboa, onde pesquisa as artistas Ana Mendieta e Celeida Tostes e as relações da vida e obra das artistas, a partir do viés feminista com sua própria poética. Possui obras em acervos de Museus no Brasil, Argentina, China, Cuba, Espanha, Eslovênia, Itália, Letônia, Lituânia, México, Portugal, Rússia, República Dominicana, Turquia, Ucrânia, entre outros. Possui 34 exposições individuais em espaços institucionais e mais de cem exposições coletivas incluindo bienais e simpósios e residências artísticas, nacionais e internacionais. Conquistou sete prêmios ao longo de sua carreira e expõe regularmente desde 1984. Realiza micro intervenções pelos lugares por onde anda.

Desenvolveu as séries artísticas Ovóides, Guardiões, Alguidares, Habitar Ninhos, Profano-Sagrado e Organismos.

Reside e trabalha em Florianópolis, SC, desde 2002.

 

 

00B - Foto da Artista