REDE CHOQUE apresenta: Luciana Petrelli

00A - - Retrato da artista Luciana Petrelli.

 

 

Luciana Petrelli é a artista apresentada nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

A artista Luciana Petrelli tem como meio para suas produções, elementos da natureza e o feminino como temporalidades que se deslocam no agora, revisitam as memórias e retornam em transformações. Rompendo padrões enrijecidos em sua formação fotográfica, a artista permite-se arriscar pela experimentação, num reinventar-se visível em sua caminhada.

 

As obras aqui apresentadas têm uma relação íntima com a natureza e com o olhar para o feminino, em metamorfoses, simbioses entre corpos ora com identidades, ora acéfalos, em que o rosto parece não ser o elemento principal que desdobra a subjetividade em multiplicidades, no ver-se para além da face, um corpo rizomático que está em rede e extensão.

 

Em uma produção quase sempre permeada pela linguagem fotográfica, Luciana questiona as relações com a natureza, trazendo elementos míticos, carregados de rituais, fabulações, ramificações, em um sistema que nos faz emergir na relação com as mudanças da natureza, que conectam os fluxos e refluxos transferidos pelos diferentes semblantes nos quais as imagens sugerem. Sejam nas performatividades ou nas imagens que desacomodam a natureza, como em uma grande feitiçaria, há a transmutação dos elementos que compõem as obras produzidas pela magia realizada pela artista, como em sabedorias antigas, trazidas nas relações com a ancestralidade e com curar pela terra e pela conexão consigo mesma e com o outro, que percebe os monstros e os renascimentos possíveis.

 

Na série Em Fluxo, as visões externadas de um mundo de ficções que perpetuam as entranhas internas, incorporam incoerências em imagens que segundo a artista, são perturbadoras e conduz à percepção a outras vivências.

 

Já em Ilhas de Forças, Luciana inicia a série pela fotografia, mas relaciona-se também com vídeos, instalação, performance e outras linguagens. Entre a força da natureza e as relações com o mineral e outros elementos naturais, a PEDRA repete-se como fonte que perturba e resiste, reinventa territórios e desestabiliza fronteiras. Nesta série realizada e performada em parceria com a banda Mulamba, Luciana afirma a forma e a beleza em ser resistência através das pedras que agora integram e se contaminam pela presença de diferentes mulheres, “mastros da bandeira da revolução” como na letra de Mulamba. As mulheres transportam a dureza da pedra para a maleabilidade da água em fluxo de trocas que se tornam marcas dos femininos que reafirmam seu papel na contemporaneidade em potências múltiplas dos feminismos.

 

Ao mergulhar na série Insanidade, obra realizada em parceria com Christiane Petrelli Coelho criada em 1979, o que vemos em sua linha fabular é a relação com o insano que pretende também lançar pela busca da existência, segundo Christiane. A palavra insanidade também sempre permeou o papel da mulher em nossa sociedade, quando esta rompia a normatividade imposta historicamente pelo sistema patriarcal.

 

Nessa busca pela existência, Luciana realiza durante o tempo pandêmico a série Teatro sem Platéia que rememora Insanidade. Nas palavras de Luciana: utilizando dos mesmos elementos do passado, revisitei lugares íntimos e pessoais, e em estado de isolamento recriei no espaço da casa um novo ambiente, onde os traços do cotidiano foram apagados gerando uma atmosfera para novas historias contarem sobre um novo tempo. O olhar em constante observação aponta a direção para a luz, para as sombras e para os ventos, elementos que conduzirem os movimentos. Como pálpebras, as cortinas contem os gestos neste pequeno palco sem plateia. Somente o contato com a natureza atenua a tensão e numa simbiose com o corpo a metamorfose acontece.

 

Entre o vermelho-sangue, a água, o mineral, a terra, o corpo e a incorporalidade, a vida e morte, a artista grita por uma alma da natureza em conexão e clama por uma renascença. Assim, as obras de Luciana fazem dos sonhos e devaneios, enigmas a serem decifrados. A natureza é morada para gestos e estranhamentos, criando outras visualidades que retiram do real a presença da “naturalidade”, em flutuações que questionam o distanciamento do ser humano, como se não fossem parte de um mesmo ciclo, da mesma ambiência.

 

 

01 A - Foto - Luciana Petrelli - Serie Em Fluxos.

Série Em Fluxos, 2015-2017. Fotografia digital impressa em papel Hannemuller base algodão, e jato de tinta mineral. 64×48 cm. Tiragem: 01/05. Obra presente no acervo do Projeto Armazém.

 

 

01 B - Foto - Luciana Petrelli - Serie, Em Fluxos.

Série Em Fluxos, 2015-2017. Fotografia digital impressa em papel Hannemuller base algodão, e jato de tinta mineral. 64×48 cm. Tiragem: 01/05. Obra presente no acervo do Projeto Armazém.

 

01 C - Foto - Luciana Petrelli - Serie, Em Fluxos- Ilusões.

Série Em Fluxos, 2015-2017. Fotografia digital impressa em papel de algodão e jato de tinta mineral. 250×140 cm – Tríptico. Tiragem: 01/05

 

 

 

 

01 D - Foto Luciana Petrelli Série Em Fluxos.

Série Em Fluxos, 2015-2017. Fotografia digital impressa em canvas e jato de tinta mineral. 64×48 cm Tiragem: 01/05

 

01 E - Foto Luciana Petrelli Série Em Fluxos.

Série Em Fluxos, 2015-2017. Fotografia digital impressa em canvas e jato de tinta mineral. 64×48 cm. Tiragem: 01/05

 

 

01 F - Foto Luciana Petrelli Série Em Fluxos, Amantes 4.

Série Em Fluxos, 2015-2017. Fotografia digital impressa em tecido industrial montada em três partes com suportes de ferro. 180×60 cm

 

 

02 A - Foto Luciana Petrelli Série Ilhas de Força.

Série ILHAS DE FORÇA, 2018. Foto em parceria com a banda Mulamba. Fotografia digital impressa em lona. 180×300 cm (cada)

 

02 B - Foto Luciana Petrelli Série Ilhas de Força.

 

 

Série ILHAS DE FORÇA, 2019. Vídeo para a instalação Ilhas de Força. Duração: 8 minutos e 47 segundos

 

 

 

03 A - Foto Luciana petrelli Série Insanidade

Série Insanidade, 1979. Obra realizada em parceria com Christiane Petrelli Coelho. Fotografia analógica. Reimpressão pelo negativo escaneado em alta resolução para o digital. Impressão em papel Hannemuller base algodão e jato de tinta mineral. 49×72 cm (cada). Tiragem: 01/05

 

 

03 B - Foto Luciana petrelli Série Insanidade

 

03 C - Foto Luciana Petrelli Série Insanidade

 

03 D - Foto Luciana Petrelli Série Insanidade

 

03 E - Foto Luciana Petrelli Série Insanidade

 

03 F - Foto Luciana Petrelli série Insanidade

 

 

 

 

04 A - Foto Luciana Petrelli Série Teatro sem Plateia.

Série Teatro sem Plateia, 2020. Fotografia Digital. Impressão em papel Hannemuller base algodão e jato de tinta mineral. Tamanhos Variados.

 

04 B - Foto Luciana Petrelli Série Teatro zem Plateia.

 

04 C - Foto Luciana Petrelli Série Teatro sem Plateia

 

04 D - Foto Luciana Petrelli, Série Teatro sem Plateia.

 

04 E - Foto Luciana Petrelli Série Teatro sem Plateia 1.

 

04 F -Foto Luciana Petrelli Série Teatro sem Plateia 2.

 

 

Luciana Petrelli nasceu em Curitiba em Maio de 1958. Aos 17 anos fez intercambio para Paris e foi neste período que o contato com a fotografia se desenvolveu, através de cursos e convívio com o meio artístico da cidade. Ao retornar ao Brasil residiu no Rio de Janeiro para cursar Comunicação Social, acreditando na fotografia como profissão.  Em 1979 fez sua primeira exposição, sob o título Insanidade em parceria com a artista plástica Christiane Coelho. Viveu entre Curitiba, Rio de Janeiro, Blumenau e Florianópolis, sempre trabalhando com a fotografia documental para diferentes veículos. Participou de exposições, salões de arte e viagens culturais entre elas fez parte do grupo de fotógrafos convidados para apresentar trabalhos no Primeiro Colóquio de Fotografia em Cuba no ano 1984. Entre os anos de 1996 e 2009, trabalhou para a Secretária de Turismo de Governador Celso Ramos em Santa Catarina, fotografando as belezas do Município, neste período realizou e produziu o Festival Internacional de Artes Plásticas de Governador Celso Ramos em parceria com a artista plástica Flávia Fernandes. De 2009 aos dias de hoje concentrou-se na fotografia autoral, estudando e pesquisando a fotografia contemporânea. Realizou diversas exposições coletivas e individuais, tendo sido parte dos convidados em 2017 para a Bienal Internacional de Curitiba e em 2019 realizou a exposição individual ILHAS de FORÇA, também pela Bienal, dentro da programação Mulher Artista Resiste, com curadoria de Juliana Crispe.

 

 

00B - Retrato da artista Luciana Petrelli

Créditos do retrato: Paulo Nunes