REDE CHOQUE apresenta: Doraci Girrulat

0A foto da artista

Créditos da imagem: Edmundo Olivares

 

Doraci Girrulat é a artista apresentada nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

 

0B foto da artista

Créditos da imagem: Yolanda Veiga

 

 

A artista Doraci Girrulat tem enorme importância no sistema de arte em Santa Catarina, na inserção da arte contemporânea em Florianópolis na década de 80 e extensão no estado, assumindo papel como artista, professora, pesquisadora, coordenadora de projetos e articuladora de proposições no movimento artístico.

 

Com uma personalidade impar, singular, sempre questionadora, a frente de seu tempo, Doraci teve voz e clamou pela liberdade em uma época em que o campo artístico ainda era majoritariamente masculino, tendo reconhecimento de curadores e críticos importantes para historicidade da arte brasileira, como Walter Zanini e Harry Laus.

 

Cursou Artes na FAAP em São Paulo, estando desde a primeira fase conectada com os professores, assumindo a monitoria da disciplina de Materiais Expressivos, onde pode desenvolver um riquíssimo conhecimento na preparação dos materiais e suas expressões, disciplina está em que se torna professora universitária na década de 80 na Universidade do Estado de Santa Catarina, bem como também nas disciplinas de História da Arte e Arte Contemporânea. Alguns de seus professores foram José Resende, Nelson Leirner, Nicolas Vlavianos, Julio Plaza, Ubirajara Ribeiro, Tomoshigue Kusuno, Reinaldo Jardim e Herbert Duschenes.

 

Entre suas influências estão Joseph Beuys, artista que a conduziu à Arte; Duchamp, e no Brasil convive e norteia-se pelos pensamentos e produções de Hélio Oiticica.

 

Artista multimídia, Doraci inicia sua produção pelas contaminações da Poesia Concreta, do o Neoconcretismo Brasileiro, pelo desdobramento contemporâneo da Minimal Art, da Arte Processo, da Arte Conceitual, da Hipermídia, tendo fluidez e hibridismo como marca em sua produção entre as linguagens que permeam até hoje seu processo contínuo e dinâmico. Experenciou o desenho, a pintura, a gravura, fotografia, escultura, instalação, intervenções urbanas, vídeo arte, performance, propiciou happenings, entre seus alunos proporcionou experiências sensórias, cinéticas e psíquicas, explorou a xerografia, o faxart como meio e foi precursora da Heliogravura no Brasil e na América Latina, juntamente com Julio Plaza e Léon Ferrari.

 

Hoje, a artista desenvolve séries de trabalhos que opera através dos meios tecnológicos para suas criações, usando o computador e celular como ferramentas para construção, utilizando-se também ao retorno de obras de sua produção passada como matrizes e palimpsestos para seu processo no agora, numa temporalidade de retorno constante.   

 

Entre múltiplas flutuações geográficas, a artista fala da matéria, da leveza, do visível e invisível, de uma rarefação, de linhas tênues e efêmeras como disparos para suas realizações. Segundo Doraci: meus trabalhos buscam revelar a transparência. Em si, da matéria posta como exposta ou da ação que nela se costuma relacionar. Diante do material dado, o mínimo de interferência e o máximo de sua presença.  Como uma metalinguagem desnudada em suas propriedades, busco no volume o tamanho humano ou mais que humano dos elementos. As obras têm um caráter minimal, que para mim, em meu processo, apontam para verdades fundamentas ou reveladoras, em uma passagem que se dá pela experiência como disparadora, como processo zen. Toda minha prática no mundo tem sido de doação para melhoria do ser humano.

 

O estado Zen nas obras de Doraci como conceito está no sentido de transformação, um estado contemplativo, de consciência e presença. O Zen visto como um campo filosófico incorpora a vida da artista como posicionamento prático no fazer artístico, que valoriza a experiência e a imersão.  Numa sofisticação em seus processos de criação, que partem dos elementos minimalistas, Doraci busca a liberdade para a extrapolação dos limites formais, seja em sua obra ou em sua vida. Ao analisarmos seus gestos, formas, cores, elementos plásticos de sua produção, percebermos a materialidade como referência indissociável e revelador para usa poética.

 

Ao mergulharmos no percurso de Doraci Girrulat, um dos tantos elementos que fica como marca é compreensão de sua expressividade própria em que a grande matéria de sua obra é ela mesma, a artista enquanto persona. Doraci é ativadora e renovadora da arte catarinense na década de 80, Doraci é corpo vibrátil como artista e como professora-propositora que ainda hoje cria marcas para os corpos possíveis que com ela se encontram, geradora de acontecimentos, criadora de rupturas, cavadora de fendas que nos coloca em constante renovação e contaminação em sermos na arte estado de devir.

 

 

1A arredondando a cebola performance coletiva direçao doraci .

 

1B arredondando a cebola performance coletiva direçao doraci .

Arredondando a Cebola, 1989 Direção de Doraci Girrulat na foto Mirna Collodel Performance Coletiva 3 Topus Entrada externa do Centro Integrado de Cultura/CIC, Florianópolis, entrada interna e rampa de acesso ao teatro que passa sobre o topus 2

 

 

 

2A - happening mitos vadios DESATE O NÓ DA TRAMA.5.12.1978

 

2B - happening mitos vadios DESATE O NÓ DA TRAMA.5.12.1978

 

2C - happening mitos vadios DESATE O NÓ DA TRAMA.5.12.1978

 

2D - happening mitos vadios DESATE O NÓ DA TRAMA.5.12.1978 Hélio .

Desate o Nó da Trama, 5 de novembro de 1978 Happening com Doraci Girrulat, Ivald Granato, Helio Oiticica, Lygia Pape, Ubirajara Ribeiro, Regina Vater, Iole de Freitas, e outros Título do Happening: Mitos Vadios Dispositivos: semi-esfera de acrílico com rede de circo, mais heliogravuras de teor crítico político Evento paralelo à Bienal Latino Americana. Local: Estacionamento na Rua augusta.

 

 

 

3.

Falo e Ouço a Mim Mesma, 2014 Fotografia Crédito: Mayte Rodrigues Dimensão variadas

 

 

 

4 .

Corporou, 1986 Papel Artesanal e texto 25cm x 20cm

 

 

 

5 instalaçao.etica visual

 

5Bexpo.nstalaçao.etica visual

 

5Cexpo.nstalaçao.etica visual .

Ética Visual – Cápsulas do Tempo, 1983 Instalação Local: vão central do MAC-Santiago, Parque Forestal Obs: há uma foto com o nome de cada conceito (suspenso dentro de cada cápsula) da minha releitura do bloco noumênico de kant

 

 

 

6 - escultura ruptura 19851

 

6 A escultura ruptura 19851

Título: Ruptura, 1986 Escultura em ovc pintado e tecido metálico, instalada na paisagem 180 x 150 x 30cm

 

 

 

7

Fragmentos de Liberdade 3, 1982 Acrílico, pluma, etiqueta de bronze Múltiplo 1 de 2 10 x 10 x 10cm

 

 

 

7A PINTURA SOBRE VOALacidente de dobras. .

Acidente de Dobras, 2019 Fotografia de desenho sobre tecido de gase Dimensão variada

 

 

 

9A - instalaçao. rito central da sagraçao da primavera.expo masc 1

 

9B - instalaçao. rito central da sagraçao da primavera.expo masc - detalhe .

Rito central da Sagração da Primavera, 1988 Instalação. Tecidos metálicos em aço inox, anodizado, bronze, níquel e borracha 2:00 x 6:00 x 6:00m Crédito da foto: Marcio Henrique Martins Acervo do MASC

 

 

 

10 escultura.sagr.prim.masc

O Guardião, 1987 Técnica: escultura de parede em aço anodizado, inox, couro e durepox pintado 47 x 77 x 54cm Acervo da artista (a venda)

 

 

 

11 .

Sem Título, 1974 Xerografia 29,7x21cm

 

 

 

12D .

Fragmentos de Liberdade, 1978 Heliogravura (pioneirismo) 55 x 70cm

 

 

12 heliogravura etica visual explosao de etica .

Bloco Nouménico – Cápsulas del Tiempo, Explosión de Ética, 1983 Heliogravura 60 x 90cm

 

 

12C .

Bloco Nouménico – Cápsulas do Tempo – Razón, 1983 Heliogravura 45 x 60cm

 

 

12A heliogravura.etca visual

Bloco Nouménico – Cápsulas do Tempo – Beleza, 1983 Heliogravura 60 x 90cm

 

 

 

13A Acervo Armazém Dorari objeto verd 1 .

Fragmento da Verdade/Veroeco, 2018 Fotografia sobre tubo de vidro quebrado com sementes de Cardo Impressão em Fine Art 30x42cm Obra presente no acervo do Projeto Armazém

 

 

 

13B Acervo Armazém Doraci .

Cadinho, 2018 Fotografia manipulada Impressão em Fine Art 30x42cm Obra presente no acervo do Projeto Armazém

 

 

 

13C Acervo Armazém Doraci Leteo, 2014 .

Título: Nas Brumas de Leteo Ano: 2016 Hipermídia (recursos básicos de um iphone 4) Impressão em Fine Art 30x42cm Obra presente no acervo do Projeto Armazém

 

 

 

0D foto da artista

Créditos da imagem: Adriana Pereira

 

 

Doraci Girrulat nasceu em 18 de novembro de 1947 em Rio do Sul/ SC. Em 1968, ingressou no curso de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina. Transferiu-se para São Paulo em 1969, graduou-se em Artes Plásticas pela FAAP em 1978. Ingressou no mestrado de Teoria da Arte na USACH (1981-1982) e, entre 1995 e 1997, cursou o mestrado em Semiótica na PUC/SP.

Realizou inúmeras exposições coletivas no Brasil (MIS-SP, MASP, Pinacoteca de SP) e outras dentro e fora de Santa Catarina. Fora do Brasil, participou de exposições em MoCHA-New York e Massachussets University, MHN-Chile, Paris, Mediathèque Jean Cocteau, Massy–France.

Realizou exposições individuais no Museu de Arte Contemporânea do Chile, no Museu de Arte de Santa Catarina, na Associação Catarinense dos Artistas Plásticos, no Museu de Arte de Blumenau e no Museu de Artes de Joinville, tendo um currículo vasto na produção artística como artista, propositora, organizadora e fomentadora das artes visuais em SC.

É professora aposentada pelo Centro de Artes (Ceart) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Participou de Conselhos de Galerias e Museus, foi Diretora de Arte da ACAP- 85-88, Coordenadora de Atividades Culturais (Embaixada do Brasil, Chile)-81-83, ministrou palestras e conferências em Seminários, Congressos, Museus e outros. Possui menção honrosa em Salão Nacional, prêmios diversos, comendas e medalhas Mérito Cultural pelo Estado de Santa Catarina e Academia Catarinense de Letras e Artes.

Vive e trabalha em Santiago/Chile desde 2012.

 

 

0C foto da artista

Créditos da imagem: Itaci Correa