REDE CHOQUE apresenta: Priscilla Menezes

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Créditos do retrato: Foto de Victor Curi

 

Priscilla Menezes é a artista apresentada nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

 

Os trabalhos de Priscilla Menezes nos falam sobre corporalidades que nos apontam para ancestralidades, ciclos de corpos femininos, ritos e passagens, morte e poder de renascimento. A natureza é o elemento central desses corpos, dos sagrados que estes carregam em suas relações temporais com todas as mulheres honradas pela artista. Ciclos femininos como teia da vida, cirandas, fluxos sanguíneos, fertilidades, num poder visionário presente em tantas culturas distintas em que os sagrados femininos são fonte de sabedoria.

 

Segundo a artista “em minhas investigações gráficas foram surgindo esses corpos atravessados por corporalidades diversas: um ventre-berçário de feras, um torso feminino por onde um cardume passa e se alimenta, um pássaro dentro do qual uma mulher descansa, um peito humano onde uma forma-peixe cria um espaço negativo, uma mulher em cujo corpo cabem as mais diversas formas animais, uma erva-daninha que insurge de um corpo humano, uma floresta que transpassa um peito. Esses são alguns desenhos que considero exemplares da longa série que venho desenvolvendo nos últimos anos; onde, a partir de recursos gráficos como sobreposição, encaixe, hachuras e pontilhismo, promovo a tangência e a convivência entre corpos/espécies/seres distintos. Com esses desenhos afirmo uma qualidade encantada da vida, a partir da qual as filiações e os agenciamentos podem se fazer desobedecendo qualquer casualidade científica/racional. Crio um universo imprevisivelmente fértil, onde peito dá em rio, planta dá em mão, gente dá em ave, bicho habita corpo. Nesse sentido, atravessa  o meu trabalho uma potência de fertilidade insubmissa: potência que cria vida a partir do imprevisível e da diferença, ou seja, que não responde às demandas fálicas. É também recorrente em meus desenhos corpos figurados a partir do fragmento, da fratura, da não-totalidade.”

 

Entre linguagens como o desenho, fotografia, vídeo, o que temos a mostra são obras que permeiam a tensão e relação entre a individuação e o encontro em devir-mulher, que segundo Deleuze e Guatarri, é a chave para todos os devires. . A individuação é um mergulho na compreensão do individuo como um processo contínuo, carregado de diferenças em si mesmo, aberto para o fora que lhe constitui, percebendo a diferença como potência e afecções possíveis de cada corpo que se permite atravessar e ser atravessado. O encontro, estar junto, como relações entre os seres humanos e não-humanos num ajuntar não hierarquizado, numa composição fluída, num reconhecimento dos corpos que se encontram e dos que estão por vir, como fluxos.

 

Não há o abandono de si, mas o reconhecimento dos contágios, conexões e contaminações entre os seres, respeito e escuta profunda sobre os modos de vida. Priscilla vê no ecofeminismo a fertilidade como uma força, um movimento que busca o equilíbrio entre o ser humano e a natureza, baseado na colaboração ao invés da dominação, o respeito a todas as formas de vida. Nos processos de criação que em ritmos não estabelecidos, como danças sem passos demarcados, percebe-se a urgência de criar sistemas incompatíveis com as lógicas de produção patriarcais/coloniais,  a possibilidade de comunicações não logocêntricas entre as formas de vida, o reencantamento do mundo.

 

 

01 - armas secretas

As armas secretas, 2017. Nanquim sobre papel. 21 x 29,7 cm Obra presente no acervo do Projeto Armazém em formato de múltiplo, tamanho 21 x 29,7 cm

 

 

02 - maga

A Maga, 2019. 42 x 29,7 cm Nanquim sobre papel

 

 

03 - estavamla

Estavam lá quando acordei, 2020 Nanquim sobre papel. 21 x 29,7 cm

 

 

 

04 - menarca

Da série Menarca Big Bang, 2018. Nanquim e aquarela sobre papel. 21 x 29,7 cm

 

 

05 - pelemenos

Como se estivesse com uma pele a menos, 2019 Nanquim sobre papel. 21 x 29,7 cm

 

 

06 - ciclo

Ciclo, 2020. Nanquim sobre papel. 21 x 29,7 cm

 

 

07 - sem titulo

Sem título, 2020 Nanquim sobre papel. 21 x 29,7 cm

 

 

08 - mantiqueira

Mulher Mantiqueira, 2019 Fotografia 27 x 41 cm

 

 

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Erosão, 2019 Fotografia 27 x 41 cm

 

 

10 - verticordia

Da série Verticordia, 2015. Performance endereçada à fotografia, dimensões variáveis

 

 

 

 

Priscilla Menezes nasceu em 1988 na cidade do Rio de Janeiro. Fez graduação Artes Plásticas na UDESC em Florianópolis. Retornou ao Rio de Janeiro para fazer o mestrado e o doutorado em Artes Visuais pela UERJ. Atualmente atua como professora de Arte e Educação na UNIRIO e conjuga sua prática docente com suas pesquisas poéticas. Entre suas produções recentes, destacam-se: a publicação livro Erro tácito em 2017 pela Editora Patuá, a participação na antologia Tertúlia publicada em 2018 pela Editora Ágrafa, a publicação do livreto Eu vou invadir os latifúndios que cercaram minha carne em 2019 pela Editora Nadifúndio. Em 2015 realizou sua primeira exposição individual, com título  Aparelho Enclave em Nacasa coletivo artístico, Florianópolis. Em 2018, abriu a exposição individual Partenogênese na Galeria Gustavo Schnoor (RJ). Fez parte de várias exposições coletivas em cidades diversas como: Pelotas, Guadalajara (México), Bergen (Noruega), Florianópolis e Rio de Janeiro. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.