REDE CHOQUE apresenta: François Muleka

 

01 - Foto do Artista

Créditos do retrato: foto: @noticiasdesalvador François Muleka

 

François Muleka é o artista apresentado nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

François Muleka carrega a ancestralidade em seus trabalhos numa interação entre o agora e a reconexão de suas raízes passadas, com a população preta e invisibilizada que, pelo artista, torna-se visível através das incorporações dos corpos negros que demarcam suas produções como protagonistas. Em seus personagens François constrói pela exploração de suportes e cores vibrantes uma fluidez imagética como processo de cura, ritual, luta e transformação.

 

Artista multimídia, Muleka navega entre a música e as artes visuais, fala, grita, ressoa, desenha, escreve, pinta, fotografa, performa, usa da linguagem corporal; faz de suas múltiplas linguagens expressões, cantos que repensam a representação da cultura e a luta dos antepassados, forças que se transformam em ferramentas de combate pela e através da poesia verbal e pictórica. Como na composição de François suas obras são couragem nestes tempos tão carentes de horas sãs: couragem, contra as formas de extermínio e exclusão: couragem.

 

O artista versa sobre identidade, ancestralidade, interação entre tecnologia e humanidades, espiritualidade e questões sociais através de diversas técnicas intuitivas que vão da pintura à costura de guerrilha, passando pela arte digital, composição de canções e jingles, memes e toda sorte de coisa e ideia que lhe ocorra.

 

Trabalha cotidianamente com reaproveitamento de materiais através de um convívio dinâmico com a matéria ao seu entorno, num processo para ele mágico e espiritual, que intitula como Obracadabra, derivando objetos ou ideias ou sons transfigurados em peças/obras que nascem para fazer parte do convivo com o outro, para comunicar-se com vidas, espaços, locais e adentrar lares.

 

Assim, transforma também trabalhos como pinturas, desenhos, colagens, técnicas híbridas e únicas em matrizes que se desdobram em obras digitalizadas seriadas transformadas em cartazes, cartões postais e imãs, com tiragens enumeradas. Os diversos suportes dão a possibilidade de circulação das imagens criadas pelo artista, acessibilidade a distintos espectadores, interação para os diferentes corpos dispostos a contaminar-se por suas criações.

 

Muleka tem um olhar para as subjetividades que permeiam os corpos que com ele caminham, explorando, ouvindo atentamente o sentido vibrante de cada corpo-alma. Couragem, coragem, em forças que abrem espaços, delicadezas, nas agilidades de uma produção que entra no estado de risco e entrega.

 

Produção-ação que pulsa potências, sonhos, que vê a arte como esperança de nosso tempo, reconhecendo sua capacidade de ressignificação, de convenções em novos processos, onde a arte está para falar e reivindicar ambientes, mas também está no cotidiano como fonte estética, sonora, de expressão e de afetos. Arte política parece ser tão distante do que entendemos da palavra poesia, mas François joga com essas fronteiras, implicando em seus processos, diálogos que resultam em transformações do meio. Modificar as superfícies e as pessoas através do lugar que a arte ocupa na sociedade é o caminho que François Muleka assume como modo de vida, onde não há espaço para categorias engessadas, mas modos flutuantes, contaminantes, gritantes em denúncia, mas também poéticos nas operações de estar no mundo, suas produções são oferendas, altares, carrancas e escudos de proteção para quem enselva, embrenha-se em seu universo.

 

 

01

A Lomba, 2020. Da série Arca de Noelia, acrílica sobre papel 32x22cm, coleção particular

 

 

02

Origenes, 2020. Da série Arca de Noelia, acrílica sobre papel 32x22cm, coleção particular

 

 

03

Um Segundo, 2020. Da série Ovo, acrílica sobre madeira 36x80cm. Obra presente no acervo do Projeto Armazém em formato de cartaz A3, 1/10.

 

 

04

Dádiva, 2020. Da série Ovo, acrílica sobre papel 15x10cm, coleção particular

 

 

05

Couragem, 2020. Da série Ovo, acrílica tela 32x22cm, coleção particular, obra presente no acervo do Projeto Armazém em formato de cartaz A3, 1/10.

 

 

06

Coragem coração-abelha, 2019. Acrílica sobre papel 15x22cm, do livro Obracadabra Obra extraviada

 

 

07

Ah Aline Frazão, 2019. Arte digital, tamanhos variados

 

 

08

Sem nome, 2019. Da série Nipônicas , pontilhismo, 15x22cm, coleção particular

 

 

09

Em Estado de Ovo, 2020. Da série Ovo, acrílica sobre madeira, 100x40cm, coleção particular

 

 

10

O grito, 2019. Arte digital, tamanhos Variados

 

 

François Muleka nasceu em São Paulo, SP, em 1985. Vive e trabalha entre Florianópolis/SC e São Paulo/SP, é artista multimeios e compositor de realidades e canções.

Sua carreira como artista visual iniciou em 2017 e rapidamente lhe permitiu vender obras para várias partes do mundo e três exposições (Psicodelicado 2018, -Florianópolis/SC e Balneario Camboriú/SC ,individual  ; Couragem 2019 (São Paulo/SP na exposição coletiva Há um Mundo por Vir em Massapê Projetos, interagindo com instalação de sua Doula das Artes, a artista Carolina Wan); Desenhos de François 2019 (Lisboa PT), individual; François Muleka até Aqui 2020 (São Paulo – no Lab Mundo Pensante como conclusão de sua residência artística. A exposição foi interrompida devido à uma pandemia mundial.