REDE CHOQUE apresenta: Bruna Granucci

0 - Foto da Artista Bruna Granucci Crédito fotográfico Edinara Patzlaff

Crédito fotográfico: Edinara Patzlaff

 

Bruna Granucci é a artista apresentada nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque, com destaque para nossos parceiros de Florianópolis: o Armazém e Coletivo Elza. A curadora convidada para nos apresentar as artistas do Armazém e Coletivo Elza é Juliana Crispe.

 

Retomar procedimentos ditos femininos, como colagem, costura, bordado, processos artesanais tem sido um dos movimentos das mulheres artistas na contemporaneidade para pensar as intersecções do feminismo com o histórico da função doméstica da mulher. Bruna Granucci apropria-se de múltiplas formas para construção de seus processos criativos, mas tem como marca a colagem como um dos mecanismos para construção de suas produções.

Usar das ferramentas que oprimiram a liberdade da mulher como forma e conteúdo tem sido uma maneira possível, entre tantos outros modos que fortalecem e produzem narrativas, entre as lacunas históricas que silenciaram a produção e o pensamento da mulher ao longo da arte.

Essa construção histórica, que tem reafirmado seu espaço, faz com que a arte realizada por mulheres tenha papel importante na elaboração dos protagonismos frente a debates culturais, com produções que geram discussões de gêneros, raças, classes e políticas no campo artístico.

Pelo processo de seleção e recorte para a construção de suas colagens, Bruna Granucci observa fragmentos do mundo, em imagens que circulam nas informações produzidas em revistas, jornais e livros, em construções imagéticas anacrônicas. Bruna vê na operação de suas obras maneiras de materializar seus pensamentos, reorganização que se dá pelo reaproveitamento de materiais do seu entorno. A artista recolhe e coleciona fragmentos do contemporâneo, com imagens atemporais para dar voz a questões feministas e femininas, recriando espaços imaginários, que criticam o patriarcado, a objetificação da mulher e do seu corpo, as prisões possíveis ainda vividas por mulheres, o comportamento sexual tomado como apropriação de uma coletividade e não subjetividade.

O cotidiano, seu universo interior, imagens e objetos que falam sobre a artista, sobre seu lugar no mundo, viram munições para seu processo criativo. Ver-se mulher na sociedade, mulher mãe que proclama as vozes de outras mulheres, em devires que afirmam o preenchimento do vazio, nas lacunas da construção histórica, como campo político em que projeta questões que versam por uma sociedade mais igualitária e justa para todos os seres.

Há também uma relação fortemente demarcada com a botânica que circunda suas obras, seja nas colagens analógicas, nas configurações digitais ou na produção de vídeo arte, experiência esta que vem da sua formação em cinema, a natureza é um elemento que dialoga e converge com a força da mulher.

Como nas colagens, vemos esse procedimento presente na obra Buquê Marginal, composta por vídeo e instalação, esta série que dialoga e conceitua as “mulheres-mato“, pretende investigar e evidenciar a invisibilidade social feminina. Trabalho produzido em parceria com a artista Edinara Patzlaff, traz a idéia de uma nova leitura sobre “plantas sem valor“ que crescem em paisagens urbanas e são marginalizadas. A palavra marginal, o que está à margem, reflete sobre as não normatizações, ou aquilo em que não se encaixa dentro dos padrões impostos. Romper os padrões torna-se uma afronta a sociedade, à moral e aos bons costumes. Buquê marginal surge assim do banal, do que se não dá valor, do que está fora para abordar a pluralidade, bordas imprecisas que ganham movimentos constantes, sem cercas, sem domesticação, sem apropriação de um corpo que é subjetivo e não coletivo.

Desta maneira, as mulheres-mato, interlocuções primitivas com a natureza, estão presentes nas obras de Bruna e crescem em desordem, fora dos padrões sociais para assim reivindicar seus espaços, suas falas, seus corpos, sua liberdade.

 

1 - leite moça colagem

Bruna Granucci, Leite Moça, 2017, colagem analógica e pintura com tinta acrílica 20×18 cm

 

 

3 - Vulva

Bruna Granucci, Vulva, 2018, colagem analógica e bordado, 24×27 cm, obra presente no acervo do Projeto Armazém em formato de múltiplo

 

04 - Desabrochar-se

Bruna Granucci, Desabrochar-se, 2018, colagem analógica em papel 20 x11cm, obra presente no acervo do Projeto Armazém em formato de múltiplo

 

05 - Nosso Sexo

Bruna Granucci, Nosso Sexo, 2018, colagem analógica em papel 20×9 cm

 

 

6 - O parto expo Alta

Bruna Granucci, O Parto, 2019, colagem analógica em papel 6,5×27 cm

 

 

7 - Debut da desproporção pdf

Bruna Granucci, Debut da desproporção, 2019, colagem analógica em papel e pintura acrílica, 37,5×19,5 cm

 

 

8 - amor marginal - buquê marginal

Bruna Granucci, Amor Marginal, 2019, colagem analógica em papel com adesivo e ramo seco de palha, 24x27cm

 

9 - Desintegrei

Bruna Granucci Desintegrei I, 2020 Colagem analógica em papel 20,5 x 30,5 cm

 

 

10 - Still Vídeo - Buquê Marginal .

Bruna Granucci e Edinara Patzlaff , Série Buquê Marginal, 2020, Instalação de matos colhidos pela cidade e projeção de vídeo de 1minuto e 35 segundos. Estás obras fazem parte do projeto contemplado na Fundação Cultural Badesc no edital do ano de 2020. Exposição ainda não realizada por conta da pandemia.

 

10A - Instalação Buquê Marginal

10B - Instalação Buquê Marginal

 

 

Bruna Granucci nasceu em Mogi-Mirim, interior de São Paulo, vive e trabalha em Florianópolis/SC. É formada em Cinema pela UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina, 2010, Artista visual independente.

Múltipla, a sua produção abrange desde colagens analógicas, bordados livres passando pelo desenvolvimento de vídeos experimentais e projetos de instalação e murais. Nesses diferentes meios e experimentações procura estabelecer um diálogo com o seu entorno social e político e suas experiências pessoais, materializando a subjetividade de seu pensamento, recorrendo sistematicamente à um discurso feminista e poético.

Participou de mostras de arte e feiras gráficas em Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo, além de exposições coletivas pelo estado de Santa Catarina.   

01 -Foto da Artista Bruna Granucci Crédito fotográfico Edinara Patzlaff