REDE CHOQUE apresenta: Sandra Favero

0 - Retrato da Artista Sandra Favero

Crédito fotográfico: Carolina Correia Favero

 

Sandra Favero é a artista apresentada nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque. Aqui destacamos o Armazém-Coletivo Elza, de Florianópolis, através da curadoria de Juliana Crispe, que assina o texto de apresentação e a seleção de obras.

 

Nos trabalhos de Sandra Correia Favero a artista investiga a atenção ao tempo e a relação com o olhar demorado, sem pressa de perceber o entorno. A experiência do corpo com a paisagem, de um corpo que se atravessa pela paisagem e torna-se parte dela. Olhar em volta, reconhecer o espaço vivido, despertar para um mundo de certa forma oculto. Para a maioria das pessoas pode ser irrelevante, mas para a artista propicia diálogos, remete às ideias e pensamentos que se desdobram sobre vida e morte, beleza e feiura, delicadeza e brutalidade, memória e presença, abandono e tempo.

Ao abordar a experiência vivida, as sensações, o despertar do imaginário, o prazer da liberdade de pensamentos com o prazer do espaço aberto, do silêncio, do marulho do mar, a artista tem a intenção de evidenciar o sentimento de pertencimento, falar das diferenças presentes no local do qual sente fazer parte. 

Nas relações temporais, entre o passado, o agora e o futuro, há afecções de tempos que se perfuram, experiências resignficadas por suas obras. O papel ou o tecido é rompido com a impressão de suas matrizes, ganhando dimensão poética, espaços móveis da memória dos trabalhos e da experiência da artista como gravadora, cada estampa traz representações que podem servir como dispositivo para acionar diversas relações. O aparente abstrato das imagens, carrega em si a proximidade com o mar, com a natureza, com a vida; a fotografia-performance está como corpo expandido, pelo corpo da artista, pelos objetos incrustados achados por ela, da paisagem vivida e íntima, nos livros de artista não há só a passagem do tempo, como também o retorno a ele e o sempre novo de nossas lembranças a partir das relações com o tempo de agora.

Se a gravura é premissa para sua criação, a artista desdobra a linguagens da gravura e sistemas híbridos em diálogos contínuos com outras técnicas, para registrar, materializar seus pensamentos, seus gestos. A vida como matriz em processo contínuo de corrosão e recriação com tempo/ação/memória. Impressões estas que faz com que as profundezas da matéria sejam motivo de busca, alcance e encontro com os movimentos internos e externos na sua condição humana, um ir e vir, sempre posto a um novo, a uma descoberta ao olhar atento.

 

 

01 - Tempestade

Sandra Correia Favero Tempestade, 2003 Livro de artista, fragmentos recortados de impressão xilográfica sobre tecido voal de algodão, costuras à mão 23 x 32 cm Crédito fotográfico: Márcia Regina de Sousa.

 

 

02 - Da série Pelas peles

Da série Pelas peles, pelas penas, pelos pelos, 2001. Xilogravura, sobreposição de impressões xilográficas sobre papel sulfurizê em tons pretos, 2,02 x 0,79 m Crédito fotográfico: Carolina Correia Favero

 

 

03 - Da série Estuário

Da série Estuário, 2013. Gravura em metal, água-forte e água-tinta, sobreposição de sete matrizes 56,5 x 75,5 cm sem margem, Crédito fotográfico: João Musa. Obra presente no acervo do Projeto Armazém

 

 

04 - Da série Pelas peles

Da série Pelas peles, pelas penas, pelos pelos, 2001. Xilogravura, sobreposição de impressões xilográficas sobre papel sulfurizê em tons pretos e vermelho em tamanhos variados 1,15 x 0,47 m Crédito fotográfico: Carolina Correia Favero

 

 

05 - Da série Estuário

Da série Estuário, 2013. Gravura em metal, água-forte e água-tinta, azeite de oliva com enxofre 59,8 x 39,3 cm sem margem Crédito fotográfico João Musa.

 

 

06 - Da série Estuário

Da série Estuário, 2002/2013. Gravura em metal, água-forte e água-tinta, 1 19,1 x 14,2 cm sem margem, Crédito fotográfico João Musa.

 

 

07.1 - Da série Arqueologicamente contemporânea

07.2 - Da série Arqueologicamente contemporânea

07.3 - Da série Arqueologicamente contemporânea

Da série Arqueologicamente contemporânea, 2011. Performance para fotografia 10 x 15 cm cada Crédito fotográfico: Carolina Correia Favero

 

 

8 - Da série Arqueologicamente contemporânea POSTAL

Da série Arqueologicamente contemporânea, 2011. Postal, performance para fotografia 9 x 13 cm Crédito fotográfico: Carolina Correia Favero Obra presente no acervo do Projeto Armazém

 

 

9 - Da série Arqueologicamente contemporânea INSTALAÇÃO

Da série Arqueologicamente contemporânea, 2018 Instalação, coleção de tampinhas encontradas à beira-mar. Crédito fotográfico Sandra Correia Favero.

 

 

10 - Suspensão

Suspensão, (da série arqueologicamente contemporânea), 2018. Fotografia em Fine Art 30×20 cm Crédito fotográfico: Carolina Correia Favero com manipulação da artista. Obra presente no acervo do Projeto Armazém

 

 

Sandra Correia Favero nasceu em Curitiba/PR, em 1957, e vive em Florianópolis/SC. É doutora em Poéticas Visuais pela USP, 2015. Mestre em Gestão do Design pela UFSC, 2003. Graduou-se em Bacharelado em Pintura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, 1979.

Atua como artista, pesquisadora e professora de graduação e pós-graduação em Artes Visuais na Universidade do Estado de Santa Catarina em Florianópolis.

Em seus trabalhos investiga as relações que permeiam memórias, a experiência da paisagem, do corpo, da vida; tendo como experimentação e formação o aprofundamento na linguagem gráfica, pelos meios tradicionais da gravura, mas, que se expandem para distintos meios, como a fotografia, as publicações de artista, instalações e intervenções.

Realizou diversas curadorias, com pesquisas voltadas para a gravura e o múltiplo.

Participou de exposições individuais e coletivas pelo território nacional, entre elas: Salão Nacional (1984), Gravura e Monoprint no MIS em São Paulo (1984), III, IV e VI Mostra Anual de Gravura Cidade de Curitiba (1980, 1981,1983), IX Bienal de Gravura Cidade de Curitiba como artista convidada (1990), também com experiências de residência artística na Cidade das Artes em Córdoba/Argentina (2013) e exposições fora do Brasil, Brazilian Printmakers from Casa da Gravura, Ohio/USA (1984), Contemporary Prints from Brazil, Instituto Cultural Brasileiro Americano, Washington e Montpelier Cutural Arts Center, Mariland, USA (1993), Bienal Internacional do Livro de Artista Textil, Madri/Espanha (2019),   Entre as principais exposições coletivas estão: Fotografia – seus sistemas híbridos e fronteiriços – 13a Bienal Internacional de Curitiba na Fundação Cultural Badesc (2017), Reunião do Clube do Múltiplo no Museu Victor Meireles (2018), Rudis Matéria – 14ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba no MESC (2019), Tipografia – Substantivo feminino, 19º e 20ª Edição Projeto Armazém na Choque Cultural em SP (2019) e Design Center em Curitiba integrando a 14ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba ; e as individuais: Numinoso, Galeria Municipal Pedro Paulo Vicchetti, Fpolis, SC, 2017; Estuário, Fundação Cultural de Itajaí, SC, 2019; Entre a gravura e o livro o tempo, Diálogos com o acervo, MASC, 2020.

Participa do Projeto Armazém desde 2011, em exposições, feiras, seminários, oficinas e em compartilhamento de curadoria; expondo nos estados de SC, PR, RJ e SP.