REDE CHOQUE APRESENTA: Cathy Burghi

 

0 - Cathy Burgh - Foto de Julio Pereira

Cathy Burghi – Foto de Julio Pereira

 

Cathy Burghi é a artista apresentada nessa semana, dentro do programa de parcerias da Rede Choque. Aqui destacamos o Armazém-Coletivo Elza, de Florianópolis, através da curadoria de Juliana Crispe, que assina o texto de apresentação e a seleção de obras.

 

O processo criativo de Cathy Burghi permeia o corpo-casa da mulher como campo onírico, mas também por afecções que perpassam pelo devir-mulher. A mulher mãe, o espaço doméstico historicamente em conformidade com esses corpos, da despadronização dos corpos femininos tirando-os dos moldes considerados corretos ou apropriados, da visibilidade dos corpos, corpo como guerrilha.

Um corpo político que surge a partir do diálogo e de formas de se comunicar no mundo da artista pela linguagem inicial do desenho, mas que ganha outros modos de operação como o bordado, a pintura, a animação, o vídeo, a fotografia e a performance. Transitar entre linguagens e pensá-las em campos performáticos que encaram o tempo social em outra esfera, o espaço da casa como lugar que mescla a tarefa de ser múltipla e de ter em si muitas invisibilidades. Cathy Burghi não se separa como mãe, dona de casa, mulher e criadora. O lar é o lugar que agrupa a vida cotidiana e nela a artista vê-se nessa multiplicidade. Se apropriar do lugar privado, a casa, como lugar de reinvidicação e reinvenção; a casa como um lugar que expande o que ela é. O corpo como casa, a casa como peso e como leveza, lugar de embrutamento e de conforto, processos paradoxais.

 

 

01 - Fructiferas, 2019

Fructiferas, 2019, Série de 6 aquarelas, Aquarela sobre papel, 70 x 100 cm. Obra presente no acervo do Projeto Armazém em formato de múltiplo, tamanho 40 x 60 cm

 

As emoções, os medos, os desejos e as alegrias permeiam as obras de Cathy e as relações com um corpo que torna-se corpos. Em muitas das obras a artista utiliza seu autorretrato para pensar as relações de desejos do que querem os corpos, corpos outros, fora dos padrões sociais, que sentem-se livres para criar, reproduzir e ser quem se é. O corpo desborda de si, e em fragmentos pensa o fora expondo suas fragilidades e porosidades.

A partir da discussão dos valores, dos comportamentos e dos ideais do sistema patriarcal e da contemporaneidade, podemos compreender as transformações que sofreram a subjetividade da mulher e o corpo feminino, que foram dominados e reprimidos numa cultura em que ao patriarca eram reservados plenos direitos e poderes sobre o espaço doméstico e as mulheres, como seres domesticados. Nas obras de Cathy, o corpo feminino está como campo fértil, como territórios, como espaços para construção de paisagens que vão para além do erotismo, dessa domestificação.  Ver-se nos movimentos dos feminismos em várias pontas, em um reclame de poder, por onde a artista propõe a representação do corpo como um corpo político e de liberdade. A leveza de um corpo que se move, que denuncia com humor, os espaços das mulheres na sociedade.

 

02 - Desbordada, 2012

Desbordada, 2012, Instalação têxtil, 150 x 150 x 150 cm

 

02.1 - Desbordada, 2012

 

02.2 - Desbordada, 2012

 

 

03 - Desbordada, 2012 (bordado)

Desbordada (detalhe da série), 2012 Série de desenhos têxteis (fios sobre tela), Dimensões variáveis.

 

03B - Desbordada, 2012 (bordado) site

 

03C - Desbordada, 2012 (bordado)

 

03D - Desbordada, 2012 (bordado)

 

 

04 - Mamas, 2018 (bordados)

Mamas 2018, série de desenhos têxteis, fio sobre algodão, dimensões variáveis.

 

05 - Cuarentena, 2020 animação, Still

Cuarentena, 2020. Animação (0,3 segundos).

 

 

 

06 - Vídeo Cuarentena Still

Cuarentena, 2020. Vídeo (copilação). Música original Dioxadol Borges (Uruguai) Animação (1’38”).

 

 

 

07 - Cachée dans la forêt, 2011

Cachée dans la forêt, 2011 Fotografia 70x90cm.

 

 

08A - Cuarentena, 2020. Jornal do virus site

Série Cuarentena, 2020. Jornal do virus, desenho, caneta sobre papel, tamanhos variados (10 x 15 cm e 20 x 20cm)

08B - Cuarentena, 2020. Jornal do virus

Cuarentena, 2020. Jornal do virus

 

08C - Cuarentena, 2020. Jornal do virus

Cuarentena, 2020. Jornal do virus

 

08D - Cuarentena, 2020. Jornal do virus

Cuarentena, 2020. Jornal do virus

 

08E - Cuarentena, 2020. Jornal do virus

Cuarentena, 2020. Jornal do virus

 

 

09.1 - Contranatura 2018. Still

Contranatura 2018, tríptico vídeos (1 minuto).

 

 

 

10 - Liberteta, 2018

Série Liberteta, 2018. Caneta sobre papel, 20 x 30 cm. Obra presente no acervo do Projeto Armazém em formato de múltiplo

10B - Liberteta, 2018

10C - Liberteta, 201810D - Liberteta, 2018

Cathy Burghi nasceu o 20 de novembro de 1980 em Montevidéu Uruguai.

Em 2001 entrou na Escuela Nacional de Bellas Artes IENBA, onde estudou Artes plásticas e Visuais.

Em 2006 ganhou uma Beca de estudos do MEC (ministério de educação e cultura) para fazer um intercâmbio na U.F.M.G. (Belo Horizonte).

De 2007 até 2015 morou e trabalhou em Paris na França.

Expôs em vários países (Brasil, Argentina, México, Canadá, Uruguai, França, Bélgica, România e Japão).

Atualmente mora e trabalha em Florianópolis Brasil.

 

 

0 - foto da artista Cathy Burgh