A Hora Do Chá com Mariana Martins

Mariana Martins e sua investigação sobre a memória e sobre o conforto.

Esses dois assuntos têm inspirado a artista a repensar nossa relação com as coisas, nossas ligações afetivas com os objetos. Através das relações afetivas que estabelecemos com eles, construímos parte a nossa memória, mas, diferente das pessoas e dos lugares, os objetos não têm vida própria, sendo que somos nós que decidimos quais objetos vamos manter bem guardados e próximos e quais objetos vamos descartar.

Mariana questiona esse nosso “poder” sobre as coisas, por exemplo, através do encapsulamento de certos objetos em resina vitrificada, a artista constrói uma aura de dignidade para coleções de objetos da sua própria memória afetiva ou insignificantes peças da vida cotidiana. Noutro exemplo, através das pinturas de “naturezas mortas” delicadíssimas, a artista cataloga conjuntos de chá, entre peças de porcelana chinesa, inglesa ou japonesa, quase sempre acondicionadas num fundo de folhas de ouro ou cobre.

 

 

Mariana Martins e o chá

Mariana é apaixonada pelo chá, não apenas pela bebida em si, mas por toda a cultura, o imaginário, as louças, os rituais e a atmosfera de conforto e a reflexão que inspira. Sua produção relativa ao assunto revela a intenção da artista em mapear os objetos que fazem parte desse universo – um mapeamento afetivo, estético, étnico e cultural. Segundo a artista, as imagens evocadas por suas pinturas provocam a reflexão sobre as delicadezas do cotidiano e nossa (in)capacidade de perceber as sutilezas que nos cercam.

Por isso, a artista usa técnicas de pintura em camadas, veladuras, pincéis finos, aplicações de folha de ouro… todo um arsenal técnico elaborado contido em pequenas telas que concentram grande intensidade de trabalho e sentimento.

 

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