Na Funarte, as novas pinturas épicas de Daniel Melim

pintura - só foi isso que sobrou - 280x855cm - 2017 low

Daniel Melim FUNARTE – 11 de novembro

Alameda Nothmann 1058 – Campos Elíseos, SP.

Num momento em que a política encontra-se num beco escuro e sujo, a arte pode nos ajudar a vislumbrar saídas iluminadas. Com esse espírito, Melim se concentrou na produção dos grandes trabalhos que expõe, agora, no espaço da Funarte, em São Paulo.

Para o artista, o momento exige a participação de todos no debate sobre o futuro que estamos construindo. Formado na cultura punk e no ambiente operário de São Bernardo, cidade industrial e berço do movimento sindical no Brasil, Melim não esconde suas raízes. Pelo contrário, prefere reforçar o seu ativismo político independente e próximo de causas libertárias. Nesse mês, por exemplo, participa de exposição no Museu da Diversidade Sexual e produz um grande Mural na USP, celebrando o feminismo.

pintura - SER - 200x625cm - 2017 low

 

Para a exposição na Funarte, Melim apresenta um conjunto de pinturas gigantes – como a “Ser ” , que tem dois metros de altura por seis metros e meio de largura ou a ” Foi Só Isso que Sobrou” que mede 2,80 por 8,55 metros.

É uma escala de pintura impressionante, que nos sensibiliza pela força das imagens impressas mas, ao mesmo tempo, nos cativa pela elaboração cuidadosa em cada centímetro de tela. O artista utiliza muitos recursos inventados, recolhidos da sua vivência no graffiti: escorridos, texturas e ruídos visuais, sombras de desenhos a lápis, figuras pinceladas, imagens pintadas com spray e estêncil.

São trabalhos mais viscerais que Melim nos propõe. Uma tonalidade mais agressiva e irônica pode ser percebida no sentido panfletário da tela “Chão de Fábrica”, no quase sarcasmo da   “Manipulação de Massas” ou na contundência direta da imagem do policial rasgando a declaração dos direitos humanos.

Nessa exposição, o artista não faz nenhuma concessão e não alivia pra ninguém: Melim subverte o senso da publicidade e dá um propósito verdadeiramente político aos mais banais símbolos pop.

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