USP abre as portas para a ARTE URBANA

Com um mural de mais de sessenta metros, a Universidade de São Paulo apresenta o seu programa para a Arte Urbana em 2018: USP_URBANA

MURAL DA ESCUTA

Coordenação artística: Daniel Melim

Artistas convidadas: Simone Siss e Laura Guimarães

Curadoria: Baixo Ribeiro

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Foto panorâmica do Mural da Escuta feita por Sylvia Seganfredo

O mural mede 65 metros de comprimento por 6 metros de altura e está localizado na parede externa do Espaço das Artes (antigo MAC USP), na Praça do Relógio, Cidade Universitária, São Paulo.

Mural da Escuta USP, foto3L Sylvia Seganfredo Mural da Escuta USP, fotol Sylvia Seganfredo

 

 

Mural da Escuta USP, foto2l Sylvia Seganfredo

 

MURAL DA ESCUTA

“Pela primeira vez, a USP se abre para o tema da arte urbana, em um esforço multidisciplinar que envolve diversas áreas do conhecimento, como arte, arquitetura, urbanismo, economia, turismo, história, entre outras. Faculdades, professores e alunos estão sendo engajados no processo de reconhecimento da importância da arte urbana para a cidade de São Paulo e da sua história para a arte. Com essa iniciativa, a USP se conecta ainda mais com seu entorno e conecta São Paulo com uma rede internacional de cidades criativas por meio do intercâmbio com as universidades que as representam”, destaca o reitor da USP, Marco Antonio Zago.

O Mural da Escuta foi idealizado pelo artista urbano Daniel Melim, em colaboração com as artistas Simone Siss e Laura Guimarães, para ocupar temporariamente a parede externa do prédio do Espaço das Artes, localizado em frente à Praça do Relógio, local de encontro no campus da USP, em São Paulo.

A obra evoca a importância da escuta para a valorização da voz feminina no mundo e, especificamente, no ambiente universitário. O coletivo de artistas aborda a temática a partir das experiências em seus trabalhos públicos, nos quais a mulher é sempre a protagonista. Melim discute a questão da imagem estereotipada da mulher na propaganda, desconstruindo na paisagem urbana espaços que eram dedicados à exploração dos estereótipos femininos pela publicidade. Simone Siss discute explicitamente as questões da insubmissão e dignificação da mulher, através das imagens e poesias que imprime em seus grafites. Já Laura Guimarães discute o protagonismo feminino por meio da palavra escrita, em poemas e microtextos impressos em cartazes e paredes da cidade.

Na obra instalada na USP, Melim compõe as áreas de cor sobre as quais se acomodam as imagens figurativas e textos poéticos que formam o conjunto do painel. As formas geométricas que se insinuam ao longo do mural foram inspiradas nas sombras geradas pelos “Bichos”, esculturas cambiantes de Lígia Clark. As faixas verticais, de diferentes alturas e cores, que aparecem no centro do mural, representam alguns dos índices de pesquisa sobre os vários tipos de violência contra a mulher no ambiente universitário.

Simone Siss usa a máscara para simbolizar a situação de permanente discriminação a que se sujeita a mulher nos diferentes ambientes em que está determinada a conquistar espaços. As principais figuras retratadas por Siss no mural são a artista Lygia Clark a escritora Amandine Aurore Lucile Dupin , que usava o pseudônimo masculino George Sand para poder trabalhar.

Laura Guimarães mantém uma permanente pesquisa sobre a condição feminina na sociedade contemporânea, transformando os relatos em poemas. Para o Mural da Escuta, a artista focou sua pesquisa em depoimentos de alunas que estudam e moram no campus, buscando mapear aflições e alegrias, conquistas e decepções, situações e expectativas que marcam a mulher no ambiente universitário.